Especialistas alertam para a coleta de dados por aplicativos de celular

App que viralizou nas redes sociais pode esconder permissões de acesso às informações geradas pelo usuário durante navegação na rede

Especialistas veem memória curta e falta de interesse como problemas

Especialistas veem memória curta e falta de interesse como problemas

Pixabay

Se você tem alguma rede social ou apenas acessou a internet nos últimos dias deve ter se deparado com algum amigo ou famoso publicando fotos com a aparência do sexo oposto usando o aplicativo FaceApp.

Apesar de divertida, o app chama atenção para a coleta e uso de dados dos usuários. Segundo especialistas, os termos de uso autorizariam acessar conteúdos sigilosos, como fotos, dados de navegação entre outras informações não especificadas.

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Para evitar que suas informações acabem em mãos indesejadas, Michelle Dennedy, CEO da DrumWave e com passagem pela área de segurança de dados do governo dos Estados Unidos, recomenda que as pessoas tenham um rastro digital cada vez menor, em vez de fazê-lo crescer cada vez mais.

"Como um indivíduo, você deve tentar cortar a quantidade de dados que são disponibilizados. Os governos não devem gostar nada de me ouvir falar isso, porque as redes sociais são lugares incríveis para se descobrir o que, de fato, está acontecendo", conta Michelle.

Há um ano, o FaceApp também esteve em alta na internet quando lançou a função que permitia simular como o usuário ficaria quando ficasse velho. Na época,  questões de privacidade do app foi questionada e até mesmo o Procon-SP multou o Google e a Apple em quase R$ 20 milhões por conta dos dowloads em suas lojas oficiais.

"A internet se beneficia, ainda, do efeito memória curta das pessoas em relação a este tipo de problemas", comenta Arthur Igreja, professor convidado da FGV e especialista em Tecnologia e Inovação. "Poucos usuários conseguem relacionar os nomes das desenvolvedoras com os apps usados e isso faz com que, muitas vezes, o aplicativo tenha apenas que trocar de nome ou ganhar uma nova roupagem para voltar a ativa, sem grandes problemas com o passado", completa.

Coleta de dados

O objetivo de muitas empresas é entender as preferências dos usuários e compará-las com outras bases de dados. A partir dessas informações, produtos e serviços compatíveis com o perfil de cada um passam a ser exibidos nas diversas plataformas da internet, como Facebook, Instagram e Google.

“Os dados contam literalmente e a história das nossas vidas, onde nós estivemos, o que comemos, o que compramos, como fomos ao trabalho", afirma Michele.

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Para Bruno Aracaty, executivo da DrumWave e especialista em dados, as pessoas vão dar maior atenção quando entenderem que os dados são uma propriedade delas.

"Muito se fala sobre o valor dos dados e que serão o próximo petróleo, mas, hoje, você não consegue medir ou transacionar em cima disso. Essas informações são suas e não são ao mesmo tempo", conta Bruno.

Segundo Bruno, a LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais), prevista para entrar em vigor em 2021, irá "resguardar o direito das pessoas de dizerem sim ou não". Essa legislação irá determinar quais dados que podem ser coletados dos usuários e como podem ser usados e armazenados pelas empresas.

O R7 entrou em contato com o FaceApp para comentar a coleta de dados pelo aplicativo, mas não obteve resposta.

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