Tecnologia e Ciência Reduzir consumo de carne em 20% cortaria pela metade as emissões de CO2 até 2050

Reduzir consumo de carne em 20% cortaria pela metade as emissões de CO2 até 2050

Estudo publicado na revista Nature levou em consideração as projeções do crescimento populacional e da demanda alimentar

AFP
Sistema alimentar mundial produz um terço das emissões de gases de efeito estufa

Sistema alimentar mundial produz um terço das emissões de gases de efeito estufa

Pixabay

A substituição de 20% do consumo de carne bovina e ovina por proteínas que reproduzem sua textura reduziria as emissões de gás carbônico pela metade antes de 2050 e também o desmatamento provocado pela pecuária, segundo um estudo publicado nesta quarta-feira (4).

Com base em projeções do crescimento populacional e da demanda alimentar, os autores do artigo, publicado na revista Nature, concluíram que a substituição de metade do consumo de carne vermelha pelas chamadas proteínas microbianas reduziria em mais de 80% o desmatamento e a poluição por CO₂.

"É uma importante contribuição para alcançar os objetivos do Acordo de Paris para o clima, com benefícios adicionais para outras metas de preservação", garantiu à AFP Florian Humpenoder, um dos principais autores, membro do Instituto Potsdam de Pesquisas sobre o Impacto Climático (PIK).

Três relatórios de referência sobre o clima publicados pela ONU desde agosto advertiram que o objetivo principal do documento, limitar o aquecimento global a um nível inferior a 2°C, está seriamente ameaçado.  

O sistema alimentar mundial produz um terço das emissões de gases de efeito estufa, e a pecuária bovina é a principal responsável do setor agrícola.

Isso se dá de duas maneiras. Uma delas é a destruição das florestas tropicais (que captariam CO₂) para ceder espaço aos pastos e plantações (soja, milho) destinadas a alimentar o gado. A outra seria o sistema digestivo dos animais, grande produtor de metano, gás de efeito estufa 30 vezes mais forte que o CO₂.

'Substituta ideal'


Presente nos supermercados há décadas, a carne artificial é obtida pelo cultivo de células microbianas e fungos em um processo de fermentação semelhante ao do vinho e da cerveja.

Suas células se alimentam da glicose — proveniente da cana-de-açúcar ou da beterraba, por exemplo — para produzir proteínas. A produção requer cultivo em terra, mas em uma escala muito menor do que a da carne vermelha, segundo o estudo.

Seus benefícios vão além do impacto ambiental, segundo Hanna Tuomisto, pesquisadora da Universidade de Helsinque.

"A microproteína é uma substituta ideal para a carne porque é rica em proteínas e contém todos os aminoácidos essenciais", disse, citada pela revista Nature.

Além disso, a utilização de água para a agricultura e a emissão de outro gás de efeito estufa, o óxido nitroso, seriam reduzidas.

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