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Câmara adia final da votação de projeto sobre terceirização para depois do feriado

Texto-base do projeto de lei foi aprovado pelos deputados na semana passada

Brasil|Carolina Martins, do R7, em Brasília, com Agência Câmara

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Deputados ainda vão analisar as emendas ao texto
Deputados ainda vão analisar as emendas ao texto

A Câmara dos Deputados decidiu, nesta quarta-feira (15), retirar de pauta o projeto de lei que aumenta as possibilidades de terceirização do trabalho no País. O fim da votação do texto ficou para a próxima quarta-feira (22), depois do feriado de Tiradentes. 

Os parlamentares entenderam que não há consenso nem dentro dos partidos para votar as emendas — propostas que podem modificar o texto-base aprovado na semana passada.

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A decisão de adiar a votação foi anunciada pelo próprio presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha. Ele anunciou que o acordo prevê o compromisso de vários partidos e disse que as votações dos destaques hoje seriam apertadas. Até a próxima semana, Cunha espera discutir um acordo com os líderes partidários.

— Vamos produzir um acordo para que a votação não seja emperrada.

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O requerimento de retirada de pauta foi apresentado pelo PSD. Ao defender o adiamento da votação, o líder do partido na Câmara, Rogério Rosso (PSD-DF), provocou o PT, que é contra o projeto. 

Segundo o deputado, o governo se diz defensor dos diretos trabalhistas, mas o Planalto apresentou a MP (medidas provisórias) 665 — que altera regras do seguro-desemprego, do abono salarial e do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador).

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Para Rosso, as emendas ao projeto da terceirização devem ser votadas somente depois da apreciação das MPs, para que fique claro quais partidos defendem os trabalhadores.

— O PSD requer a retirada desse projeto para que se votem antes as MPs 664 e 665, porque essas, sim, tratam de alteração de regras trabalhistas e previdenciárias. Aí, assim, não teremos dois pesos e duas medidas e poderemos enfrentar a sociedade e dizer quais são os direitos que devem ser mantidos ou não.

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Além do PT, a maior parte dos partidos que compõem a base aliada ao governo e o PSDB concordaram em adiar a votação do texto para depois do feriado, na próxima quarta-feira (22). PMDB e DEM defenderam a votação ainda nesta terça. Já PROS, PSD e PSB querem a votação da terceirização somente após apreciar a MP 665.

O líder do governo na Câmara, deputado José Guimarães (PT-CE), comemorou o adiamento da votação. Segundo ele, será construída uma mesa de negociação entre centrais sindicais, empresários, parlamentares e representantes do Planalto. O objetivo do PT é construir um texto com maior consenso.

— Pairou sobre o plenário uma enorme dúvida, pairou em todas as bancadas. Teve bancada que foi para voto e se dividiu ao meio. Não é razoável votarmos essa matéria com a Câmara profundamente dividida. Tem momento que não podemos ir para o tudo ou nada aqui dentro.

O líder do governo, deputado José Guimarães (PT-CE), disse que dois terços dos líderes pediram o adiamento da votação. Ele informou que, até quarta-feira, vai reunir representantes do governo, empresários e movimento sindical, com a participação do relator do projeto e de outros deputados, para tentar um acordo que envolva esses setores.

O texto-base do projeto foi aprovado pelos deputados na semana passada, mas precisam ser analisadas as emendas ao texto, que têm gerado controvérsia e provocado protestos de sindicalistas contrários à medida.

Sessão interrompida

O presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que era contra o adiamento da votação, chegou a suspender a sessão antes da votação do requerimento para tentar um acordo com os líderes que permitisse dar continuidade à discussão das emendas. No entanto, cerca de dois terços da liderança rejeitaram a proposta de Cunha e concordaram em adiar a votação em uma semana.

Para Cunha, isso não deve alterar em nada o resultado da votação. Segundo ele, os parlamentares já têm suas convicções.

— Ninguém vai mudar nada, todos têm sua posição absolutamente convencida do tema. Quem é contra vai votar contra, quem é a favor, é a favor. O que existe aí, como entra cada hora uma emenda aglutinativa, as pessoas começam a ficar com insegurança no que vão votar. É normal isso. O que pode é se tentar um acordo para retirar pelo menos de parte das emendas aglutinativas para evitar confusão. 

Já o PT está confiante que vai conseguir modificar o artigo que permite a terceirização de qualquer tipo de atividade. O líder do governo, José Guimarães, afirma que reuniões devem ser realizadas inclusive durante o fim de semana.

— Eu já estou apresentando ao relator da matéria uma proposta de construção de mesa de negociação até quarta-feira. Dá tempo, às vezes se faz isso até em 24 horas, e nós temos o sábado e domingo. Caso o consenso não seja construído, vamos a voto. O governo vai ajudar no diálogo.

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