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Dar ministérios para partidos que apoiam o governo “é receita para a ineficiência”, diz FHC

Ex-presidente afirma que ‘sistema político-partidário foi perdendo credibilidade junto ao povo’

Brasil|Do R7, com Record News*

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FHC: "Temos no Congresso mais de 20 grupos que se organizam"
FHC: "Temos no Congresso mais de 20 grupos que se organizam"

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso condenou a distribuição de ministérios a partidos políticos que apoiam o governo federal. Em entrevista ao jornalista Heródoto Barbeiro, na edição de número 1.000 do Jornal da Record News, FHC admite que o Congresso Nacional conquistou grande poder e afirmou que o País vive um “Parlamentarismo envergonhado”.

— Estamos vivendo uma espécie de crise de autoridade. Não só o Parlamento que toma medidas que não são mais apropriadas para o Executivo. A Justiça também passou a decidir com uma certa indecisão. Então, estamos num momento em que precisa ser repensando, ajustado.


Para o ex-presidente, “com o tempo, esse sistema político-partidário foi perdendo credibilidade junto ao povo e perdeu crença”. FHC se apoia nas avaliações negativas da opinião pública do Congresso para justificar sua posição.

— O próprio sistema foi permitindo que houvesse uma deformação da representação popular. Nós temos no Brasil hoje no Congresso mais de 20 partidos, e, no País, mais de 30. E nós atendemos a 39 ministérios. Isso é receita para a ineficiência. Não são partidos: temos no Congresso mais de 20 grupos que se organizam. Temos quatro, cinco ou seis partidos.


Esses grupos que se organizam só o fazem “para ter um pedaço do governo” e “depois vão para a presidente e dizem: ‘se você não me der tal coisa eu não voto’”.

— Isso não é um regime que se sustenta por muito tempo. Alguns dos sociólogos caracterizavam isso como presidencialismo de coalizão. Não é. É de cooptação. Foi de coalizão, quando você juntava três, quatro ou cinco partidos diferentes e você tinha um programa. Agora, você não tem programa. Eles se juntam para ser cooptados e o governo vaio lá coopta, seja por meio de uma agência importante do governo, de um ministério. Isso não vai aguentar muito tempo.


*Com a colaboração de Juliana Godoy, da Record News

Assista à entrevista completa:

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