Deputado admite que se reuniu com empresário preso
Roque Barbiere foi flagrado em grampos durante operação nacional de combate à corrupção
Brasil|Do R7

O deputado estadual Roque Barbiere (PTB), citado na Operação Fratelli — investigação do Ministério Público sobre desvios de verbas públicas na região de São José do Rio Preto (SP) —, admitiu que recebeu em seu gabinete, na Assembleia Legislativa, o empresário Olívio Scamatti, dono da empreiteira Demop, preso anteontem. Ele, contudo, negou taxativamente que tenha recebido propina para ajudar na conclusão de uma obra em Birigui (SP).
— O único contato que eu tive com esse povo aí da Demop foi na mudança do governo estadual. O José Serra (PSDB) havia autorizado um obra no perímetro urbano de Birigui, uma estrada de 8,5 km. Quando ele deixou o governo, faltava concluir a obra, mas o Geraldo (Alckmin) entrou e mandou revisar todos os contratos, aquelas coisas quando muda governo. Os empresários ficaram preocupados e me procuraram.
A obra custou cerca de R$ 70 milhões aos cofres públicos.
— É a coisa mais linda que se pode imaginar, a obra mais importante da história de Birigui.
Mutirão contra corrupção atinge deputados de SP
A Operação Fratelli — desdobramento da Operação do Dia Nacional de Combate à Corrupção, que alcançou 12 Estados e levou 92 suspeitos para a prisão — monitorou Olívio e outros empresários do interior paulista.
O deputado Barbiere caiu no grampo indiretamente, conversando com os empresários sob suspeita.
— Aparentemente, o DER (Departamento de Estradas de Rodagem) dizia que não ia concluir a obra. Essa empresa, a Demop, me procurou dizendo que o governo ia paralisar as obras [...] Fui atrás do Saulo (de Castro Abreu, secretário dos Transportes do Estado) para que concluíssem os trabalhos. Foi aí que tive contato com esse pessoal, a Demop e uma outra empresa do Paraná cujo nome não me recordo. A obra foi feita a meu pedido. O interlocutor político era eu.
Barbiere disse que recebeu Olívio "duas ou três vezes" em seu gabinete.
— Corri atrás do complemento da obra. Olívio e os empresários do Paraná me procuraram, sabiam que eu tinha arrumado a obra para a cidade. Eu era o pai político da obra.
Legislativo
O presidente da Assembleia, Samuel Moreira (PSDB), afirmou, em nota, que "até o momento não há elementos que justifiquem medidas" por parte do Legislativo em relação a Barbiere e ao deputado Itamar Borges (PMDB), que também caiu nos grampos. Ele prometeu arrumar um convênio para Olívio Scamatti.
— As investigações estão na fase inicial e vêm sendo conduzidas pelas autoridades competentes.
Moreira disse acompanhar "com atenção o desenrolar dessas apurações".
Promotoria
Há um ano e meio parada no Ministério Público estadual, a investigação sobre a denúncia feita por Barbiere em 2011 sobre venda de emendas parlamentares deve ser retomada no fim do mês.














