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Empresas da Lava Jato bancaram campanha de mais da metade dos membros da CPI da Petrobras, diz deputado

Após delação premiada, MPF suspeita que mecanismo era usado para lavar dinheiro de propina

Brasil|Do R7*

Durante a sessão de ontem, houve bate boca entre os deputados
Durante a sessão de ontem, houve bate boca entre os deputados Durante a sessão de ontem, houve bate boca entre os deputados

Mais da metade dos deputados que compõem a CPI da Petrobras recebeu dinheiro das empreiteiras envolvidas na operação Lava Jato, na forma de doação de campanha. Ao todo, 26 dos 50 parlamentares da comissão estão nesta situação, de acordo com o deputado federal Ivan Valente (PSOL-SP)

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Com o STF (Supremo Tribunal Federal) prestes a liberar a lista de políticos envolvidos na operação da PF (Polícia Federal), o socialista conversou com o R7 sobre o pedido do seu partido, no início da instalação da terceira CPI da Petrobras, para que todos os deputados suspeitos de receber dinheiro das empreiteiras sejam afastados da CPI.

— Segundo um levantamento que foi me passado, 26 dos 50 deputados que compõem a CPI receberam dinheiro direta ou indiretamente de empresas da Lava Jato em doações de campanha. Mais de 50%, entre titulares e suplentes.

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Segundo delação premiada do executivo Augusto Mendonça, da Toyo Setal, ao MPF (Ministério Público Federal), um dos mecanismos utilizados pelas empreiteiras para pagar propinas e lavar dinheiro era via doação legal nas campanhas eleitorais. Valente afirma que os parlamentares que receberam doações e participam da CPI ferem o código de Ética da Câmara dos Deputados por advogar em causa própria.

— O próprio Ministério Público Federal disse que não há como separar dinheiro de doações e dinheiro que as empresas receberam através de propinas. Em segundo lugar, os parlamentares ferem o Código de Ética da Câmara dos Deputados e também o regimento interno da Casa. Porque estão tratando de assuntos que os dizem respeito pessoalmente. Eles deveriam se tornar impedidos de participar de uma investigação que eles não têm isenção para fazê-lo.

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Dentre os parlamentares que receberam doações das empreiteiras investigadas pela Lava Jato nas Eleições 2014 está o próprio presidente da CPI, Hugo Motta (PMDB-PB), que recebeu aproximadamente R$ 255 mil da construtora Andrade Gutierrez e R$ 200 mil da Odebrecht.

O relator da comissão, deputado Luiz Sérgio (PT-RJ), recebeu aproximadamente R$ 332 mil da construtora Queiroz Galvão, R$ 380 mil da OAS, R$ 50 mil da Toyo e R$ 200 mil da UTC. As informações estão disponíveis no site do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

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Valente também afirmou ao R7 que o PSOL vai entrar com um pedido no Conselho de Ética da Câmara para que todos os políticos que estejam na lista do PGR (Procurador-Geral da República), Rodrigo Janot, e possuam condição de mando dentro da Câmara sejam afastados de seus cargos durante o período de investigação.

— O PSOL vai pedir que todas os políticos que estejam na lista do Procurador da República, entregue ao STF, mesmo que não sejam indiciados, mas que tenham condição de mando dentro da Casa (Presidência, Presidência de Comissão, Relatoria) também se afastem para permitir que as investigações sejam feitas da maneira mais isenta possível.

Bate-boca e convocações

Na última quinta-feira (5), a primeira sessão de trabalho da CPI da Petrobras começou tensa. Houve bate-boca e muitas trocas de ofensa entre os parlamentares que compõem a comissão. O presidente Hugo Motta (PMDB-PB) protagonizou uma discussão com o colega Edmílson Rodrigues (PSOL-PA) — assista aqui.

Mais tarde, a comissão decidiu convocar os dois últimos ex-presidentes da Petrobras, José Sérgio Gabrielli e Graça Foster, para depor na CPI da Petrobras. Entre convocados, porém, o primeiro a ser ouvido pela comissão deve ser o ex-gerente da estatal Pedro Barusco, em sessão prevista para a próxima terça-feira.

*Com a colaboração de Victor Labaki, estagiário do R7

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