"Não vai acontecer nada", diz defensor da ditadura durante abertura dos arquivos do Dops em São Paulo
Advogado Ricardo Salles participou do evento ao lado de Alckmin como seu secretário pessoal
Brasil|Do R7
O advogado Ricardo Salles, crítico da Comissão Nacional da Verdade e defensor do golpe de 1964, defendeu que seja adotada uma visão diferente sobre o regime militar que ocorreu no Brasil durante a cerimônia de abertura do acesso via internet a documentos do antigo Dops (Departamento de Ordem Pública e Social do Estado — uma espécie de central de repressão da ditadura militar.
Nesta segunda-feira (1º), ao lado do governador Geraldo Alckmin, Salles, que é seu novo secretário particular, junto a ex-presos políticos que sofreram torturas, como Ivan Seixas e Sérgio Gomes, afirmou que via com "bons olhos" a divulgação na internet dos prontuários do Dops.
— Estamos no século 21, temos que dar transparência aos documentos.
Leia mais notícias de Brasil no Portal R7
Documentos mostram que personalidades como Hebe e Silvio Santos foram investigadas por ditaduras
Golpe militar no Brasil completa 49 anos. Relembre momentos marcantes
Salles, fundador do MEB (Movimento Endireita Brasil), já deu declarações apoiando a versão dos militares sobre o golpe e chegou a questionar a existência de crimes cometidos pelas Forças Armadas na ditadura — no ano passado Salles participou de evento no Clube Militar, no Rio, denominado "1964 - A verdade".
— Só o lado de lá fala e quando o nosso lado fala, se limita a negar os fatos. Acho que deveríamos ter uma postura mais ativa, até porque a punibilidade penal dos fatos, a partir de uma certa idade, não existe mais. Não vamos ver generais e coronéis, acima dos 80 anos, presos por causa dos crimes de 64. Se é que esses crimes ocorreram.
Salles minimizou o efeito dos atuais trabalhos em busca da verdade durante palestra em que o golpe militar foi chamado de "movimento de 31 de março".
— Não vai acontecer nada. Só vai dar credibilidade maior para a nossa visão dos fatos.
Em 2009, numa entrevista ao jornal Valor Econômico, Salles defendeu o golpe militar tendo em vista o contexto social da época.
— Quando a população exigiu a intervenção dos militares, tivemos um regime militar de direita que visava evitar que nós caíssemos numa ditadura de esquerda de base sindical como era aquela de João Goulart.















