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Planalto se preocupa com vazamento de papéis

Publicação de documentos pela imprensa são fruto da guerra na agência de inteligência

Brasil|Do R7

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O Palácio do Planalto está preocupado com vazamento de documentos sigilosos da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) mostrando a "Ordem de Missão 022/82105", de 13 de março de 2013, que foi encaminhada a 15 superintendências da Abin e que traz em destaque o alvo dos agentes: "Mobilização de Portuários".

O governo está convencido que a publicação de documentos sigilosos pela imprensa são fruto da guerra que está instalada na agência de inteligência desde o início da gestão Dilma e da nomeação do general José Elito Siqueira para o GSI (Gabinete de Segurança Institucional), órgão que comanda a Abin.

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Em uma demonstração clara da briga política instalada na Agência, a aOFI (Associação dos Oficiais de Inteligência) distribuiu nesta terça-feira (9) nota oficial na qual destaca que "a Abin é totalmente submissa ao Gabinete de Segurança Institucional (GSI/PR)" e que "nenhum ato, fato ou circunstância ocorre dentro da Abin sem que haja ordem expressa do General José Elito ou sua aprovação explícita".

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Em seguida, após destacar que há uma "total centralização" de decisões, esclarece que, "se houve Ordem de Missão como afirma a reportagem, essa foi produzida por ordem expressa do GSI, de acordo com as disposições do Mosaico de Segurança Institucional, criado pelo general José Elito".

A Aofi defende ainda a "desmilitarização" da agência, desvinculação da Abin de um "GSI militar", pede "controle parlamentar da atividade de inteligência" e "revisão e aprovação da Política Nacional de Inteligência".

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Ainda nesta terça-feira, a assessoria do GSI distribuiu nota informando que "o documento apresentado na reportagem é de rotina, circular" e "mostra o procedimento normal de uma Inteligência de Estado".

Apesar da clareza e do objetivo revelado pelo documento publicado pelo Estado, a nota diz ainda, que "a Abin não faz operações para vigiar movimentos sindicais ou sindicalistas" e que "não há, no documento, referência à montagem de qualquer operação no Porto de Suape". O documento, no entanto, traz Pernambuco, estado que abriga Suape, como um destino da missão.

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A nota acentua que a Abin "não utiliza métodos investigativos próprios de atividade policial em seus procedimentos institucionais".

Mas o documento obtido pelo jornal O Estado de S.Paulo e publicado na edição desta terça-feira, mostra que a "missão" da Abin segundo a "ordem" é identificar ações grevistas como reação à Medida Provisória 595, que altera o funcionamento dos portos e monitorar portuários e sindicalistas contrários à MP.

O alvo central do monitoramento, ainda de acordo com o documento, são sindicalistas ligados à Força Sindical. A central sindical se uniu às críticas feitas pelo governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), contra a MP dos Portos. Campos é possível candidato à Presidência em 2014.

O GSI e a Associação de Oficiais da Inteligência já travaram pelos menos três embates desde o início do governo Dilma.

Um no segundo mês da administração Dilma, quando integrantes da Aofi conseguiram marcar reunião e entregar um documento à assessoria direta da presidente pedindo que a Abin não tenha nem subordinação militar, nem subordinação policial, além da reestruturação do órgão.

Depois, em novembro, a associação publicou nota em seu site criticando o foco da agência para analisar prioritariamente movimentos sociais, classificando esta decisão como "nefasta".

Para eles, é "nefasto aceitar que seja correto o acompanhamento pela inteligência de Estado desses movimentos". Servidores do órgão consultados na época pela reportagem classificaram esta prática como "atrasada" e lembraram que ela era corriqueira em tempos do antigo SNI (Serviço Nacional de Informações).

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