Eventos climáticos extremos impactam saúde e desenvolvimento das crianças, alerta especialista
Relatório da Unicef aponta que mais de 30 milhões de crianças e adolescentes no Brasil estão expostos a dois ou mais riscos climáticos
Meio Ambiente|Do R7, com RECORD NEWS
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Alerta do Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) aponta que mais de 30 milhões de crianças e adolescentes no Brasil estão expostos a dois ou mais riscos climáticos. A situação ganha importância com a previsão de um El Niño.
Segundo a análise, secas, enchentes e calor extremo podem afetar a saúde, a alimentação, o acesso à água e a educação. Em 2024, as enchentes no Rio Grande do Sul e a seca extrema na Amazônia interromperam as aulas de mais de 1,1 milhão de estudantes.
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Danilo Moura, especialista em clima e meio ambiente do Unicef no Brasil, esclarece que os estudos são voltados para crianças porque elas precisam de uma atenção reforçada: “As crianças não são ‘mini-adultos’. Esses eventos impactam a saúde e o desenvolvimento das crianças de uma forma específica”.
Segundo ele, a capacidade do corpo de uma criança pequena de se adaptar ao calor extremo é diferente da capacidade de um adulto. “O corpo das crianças não desenvolveu ainda totalmente os sistemas de controle de temperatura. Então, o risco de estresse térmico é muito grande em crianças pequenas”, enfatiza.
Em entrevista ao Link News desta sexta-feira (9), Moura destaca que os diferentes eventos climáticos têm impactos diferentes e que a vulnerabilidade fisiológica é maior em crianças, por exemplo. “As crianças respiram mais ar, comem mais comida e bebem mais água por idade de massa. Então, se o ar, a água e a comida estão contaminados, o impacto dessa contaminação para o corpo da criança é sempre maior”, explica.
O nível de dependência dos mais novos também é um fator de risco. O especialista reforça que as crianças não são capazes de reconhecerem os próprios perigos e dependem de um responsável que tome decisões por elas.
Para Moura, é muito importante que pessoas que convivem com crianças regularmente saibam reconhecer sinais de estresse térmico: fala embargada, tontura, rosto quente e vermelho e dificuldade para respirar, por exemplo. “É importante, obviamente, estar fora do calor, estar na sombra, fugir dos momentos mais quentes do dia. É importante se hidratar, tem que tomar muita água e procurar ajuda médica”, reforça.
Sobre o impacto desigual das mudanças climáticas em áreas periféricas ou comunidades tradicionais, o especialista pontua que crianças nessas áreas estão desproporcionalmente expostas aos efeitos do clima extremo. “Pessoas mais vulneráveis, crianças e famílias que já estão vulnerabilizadas por outras desigualdades sociais são impactadas de forma desproporcional por eventos extremos e pela mudança climática de forma geral. Existe um elemento de injustiça nos impactos desses eventos”, afirma.
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