Cidades

30/1/2013 às 00h54 (Atualizado em 30/1/2013 às 13h22)

Sobrevivente da tragédia de Santa Maria conta que foi agredida por segurança da boate Kiss

Estudante de Direito diz ter sido pega por segurança após tentar sair durante incêndio

Paulo Robertos Tavares, especial para o R7 em Santa Maria

Incêndio aconteceu na madrugada do último domingo e, até o momento, matou 235 pessoas Agência RBS/AP

A estudante de Direito Gabriela Machado de Borba, 19 anos, uma das sobreviventes da tragédia da boate Kiss, ocorrida no último domingo (27), em Santa Maria (RS), acusou seguranças da boate de agressão.

Na última segunda-feira (28), Gabriela foi à 1ª Delegacia de Polícia da cidade para contar o que ocorreu dentro da casa noturna. O braço, pelo qual ela afirma ter sido segurada pelo segurança, ficou roxo. A estudante acredita que o segurança queria que ela mostrasse a comanda, provando que tinha pago a conta.

— O irônico de tudo isso, é que seu só bebi uma água mineral. Ele não pediu explicitamente a comanda, mas tenho certeza de que era isso que ele queria.

Gabriela diz que foi pega pelo segurança pouco antes de chegar à porta da boate. Gabriela lembra que estava próxima à porta de saída. Um pouco mais atrás, estava o namorado da estudante, Luiz Eduardo Viegas flores, de 24 anos, oficial escrevente do foro de Três Passos (cidade próxima a Santa Maria). Ele foi um dos 235 mortos. Ela contou que a fumaça começou de repente, gerando correria e pânico na boate. Com as chamas já altas, Gabriela correu e se perdeu do namorado. 

— Corri muito e consegui passar por uma abertura mínima, que separava o salão da porta de saída. Até agora, não sei como consegui fazer isso.

Na rua, não encontrou mais o namorado. Mais tarde ficou sabendo que ele havia morrido. Com lágrimas nos olhos, lembrou que o namoro já durava dois anos e que o casal já fazia planos de ficar noivo.

— Ele era tão branquinho, mas muito bonito. Não sei o que vou fazer agora, os planos que tínhamos acabou de uma hora para outra. 

Acompanhada pelo pai, o policial militar aposentado Wanderlei Oliveira Borba, se emocionou ao lembrar os momentos de terror por que passou no local.

Incêndio

O incêndio na boate Kiss, em Santa Maria, a 290 km de Porto Alegre, aconteceu na madrugada de domingo (27) e deixou 231 mortos e mais de cem feridos. O fogo teria começado quando a banda Gurizada Fandangueira se apresentava. Segundo testemunhas, durante o show foi utilizado um sinalizador — uma espécie de fogo de artifício chamado "sputnik" — que, ao ser lançado, atingiu a espuma do isolamento acústico, no teto da boate. As chamas se alastraram em poucos minutos.

A casa noturna estava superlotada na noite da tragédia, segundo o Corpo de Bombeiros. Cerca de mil pessoas ocupariam o local. O incêndio provocou pânico e muitos não conseguiram acessar a única saída da boate. Os proprietários do estabelecimento não tinham autorização dos bombeiros para organizar um show pirotécnico na casa noturna. O alvará da casa estava vencido desde agosto de 2012.

Ao entrar na boate Kiss, para socorrer as vítimas do incêndio, os integrantes da corporação se depararam com uma barreira de corpos.

O comandante-geral do Corpo de Bombeiros do Rio Grande do Sul, coronel Guido Pedroso de Melo, descreveu a situação.

— Os soldados tiveram que abrir caminho no meio dos corpos para tentar chegar às pessoas que ainda estavam agonizando.

Esta é considerada a segunda maior tragédia do País depois do incêndio do Grande Circo Americano, em Niterói, região metropolitana do Rio de Janeiro. Em 17 de dezembro de 1961, o circo pegou fogo durante uma apresentação e deixou 503 mortos. Prisões

Um dos donos da boate Kiss e dois músicos da banda foram detidos. Os pedidos de prisão, de caráter temporário de cinco dias, foram decretados pelo juiz Regis Adil Bertolin.

Na tarde de segunda-feira, outro sócio da casa noturna se entregou à polícia. Ele se apresentou no 1º DP (Distrito Policial) de Santa Maria e não falou com a imprensa.

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