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Termina primeiro dia do julgamento dos acusados da morte de PC Farias

Quatro ex-PMs são acusados de participação no crime, que matou também a namorada de PC

Cidades|Do R7, com Rede Record

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PC Farias e a namorada foram encontrados mortos na casa de veraneio dele, em Maceió, em março de 1996
PC Farias e a namorada foram encontrados mortos na casa de veraneio dele, em Maceió, em março de 1996 DIDA SAMPAIO

Terminou pouco antes das 20h desta segunda-feira (6), em Maceió (AL), o primeiro dia do júri popular dos quatro ex-policiais militares acusados de envolvimento na morte do empresário Paulo César Farias, conhecido como PC Farias, e da namorada dele Suzana Marcolino. Foram ouvidos hoje dois funcionários da casa de praia do casal, onde aconteceu o crime, no bairro de Guaxuma, na capital alagoana.

Os quatro policiais, segundo a promotoria, faziam a segurança do empresário e tesoureiro da campanha presidencial de Fernando Collor de Mello, e podem ter se omitido, já sabendo do crime, ou participado das mortes. PC Farias ficou conhecido após o escândalo político que derrubou Collor. Condenado em 1994 a sete anos de prisão, por falsidade ideológica e sonegação fiscal, ele coordenou um esquema de facilitação e corrupção dentro do governo federal.


Primeiro a depor, o ajudante de serviços gerais Leonino Tenório de Carvalho, responsável pela limpeza do quarto onde eles foram mortos, confirmou que, além de limpar o local após a perícia da polícia, ateou fogo no colchão da cama em que foram encontrados mortos PC Farias e sua namorada.

— A ideia foi minha, porque pensei que não iria "incomodar mais". "Todo bagulho" que não tem mais utilidade a gente joga fora. 


Pressionado, porém, Tenório disse que queimou o colchão a mando de outro funcionário — chamado Flávio —, e que recebeu ordens do chefe para fazer uma “limpeza” na casa. 

A segunda testemunha foi o garçom da casa, Genival da Silva França. Ele disse que Suzana teria tentado se matar afogada, dois dias antes da morte, após uma briga do casal. A afirmação é forte para a defesa dos réus, que sustenta a versão de que a namorada matou PC Farias e se suicidou em seguida. Para o promotor Marcos Mousinho, os laudos da perícia não comprovam essa versão.


Questionado pela promotoria porque só falou isso agora, 17 anos após o crime, o garçom disse que não se lembrava.

— Porque tem coisa que a gente esquece, doutor.


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O caso

PC Farias e Suzana Marcolino foram encontrados mortos na manhã do dia 23 de junho de 1996, na casa de praia do empresário, localizada no bairro de Guaxuma, litoral norte de Maceió. As circunstâncias do crime até hoje deixam dúvidas. Para a polícia alagoana, Suzana matou o namorado e depois cometeu suicídio. Esta é a mesma tese do advogado José Fragoso, responsável pela defesa dos quatro policiais levados a júri popular. A jornalista Ana Luíza Marcolino, irmã de Suzana, rebateu a tese de crime passional e falou em uma "força" para que o caso não seja esclarecido.

Collor

Paulo César Farias foi o tesoureiro de campanha do então candidato Fernando Collor à Presidência da República. Em novembro de 1993, PC Farias - que teve a prisão preventiva decretada por crime de sonegação fiscal -, foi preso na Tailândia, para onde fugira, e transferido para o Brasil. Condenado pelo Supremo Tribunal Federal a sete anos de prisão, o empresário acabaria cumprindo parte da pena no quartel do Corpo de Bombeiros de Maceió, até ganhar a liberdade condicional. O duplo assassinato ocorreria seis meses após o empresário sair da prisão.

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