Reação em cadeia: dólar afeta dívida da Petrobras e inflação aumenta
Especialista explica como essa situação vai impactar no bolso mesmo de quem não tem carro
Economia|Joyce Carla, do R7

Nesta semana, a Petrobras decidiu aumentar o preço da gasolina e do diesel. A alta dos combustíveis vai pesar no bolso de todos os brasileiros, não só de quem tem carro. Segundo a estatal, “a recomposição de preços é uma estratégia da companhia para recuperar sua situação financeira e permitir que possa manter os investimentos previstos”.
O diretor da escola de investimentos Leandro & Stormer, Alexandre Wolwacz, explica que a alta do dólar gerou um impacto muito forte na situação econômica da estatal, porque a maior parte (80%) da dívida da Petrobras é na moeda dos Estados Unidos.
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Diante disso, a empresa decidiu pelo aumento do preço da gasolina e do diesel. O problema, para os brasileiros, é que esse reajuste afeta diretamente a inflação. Segundo Wolwacz, isso ocorre porque está tudo interligado.
— O custo de transporte, logística e de deslocamento faz com que, em um efeito de cascata, os preços de boa parte dos produtos que usamos no dia-a-dia sofram aumentos.
Esse efeito em cadeia pode fazer com que a inflação oficial, medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) chegue aos 10% no ano. O economista da PUC-RJ e membro do Conselho do IBGE, Luiz Roberto Cunha, trabalha, agora, com estimativa de inflação na casa dos 10% até o fim do ano, muito acima do teto da meta fixada do governo para o IPCA, de 6,5%.
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Em relatório distribuído aos clientes, o banco Credit Suisse já revisou para cima suas projeções, de 9,5% para 10%. Wolwacz afirma que a estimativa para inflação no final do ano passa agora para perto dos 10%, talvez até 11%.
Uma das explicações para tamanho impacto, segundo o especialista, é que o aumento do diesel faz com que o transporte rodoviário custe mais caro, em torno de 1,2%. Cunha lembra que o diesel é usado em toda a cadeia produtiva, como no transporte rodoviário de cargas, que afeta a inflação de alimentos.
Para Wolwacz, “esse aumento vai ser incorporado ao preço final dos produtos que é pago pelo consumidor”.
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Petróleo em baixa, gasolina cara
A situação financeira da Petrobras é complicada até para entender o motivo de o petróleo estar mais barato no exterior e, mesmo assim, ter a necessidade de aumentar o preço da gasolina no Brasil.
Segundo Wolwacz, a alta da gasolina, agora, terá seu efeito diluído nos próximos meses, já que a retração econômica tende a esconder o efeito inflacionário.
— Mas, efetivamente, esse aumento deve produzir um impacto entre 0,20 a 0,30 ponto percentual na inflação acumulada. O reajuste era inevitável, o remédio amargo. A população segue arcando com as dificuldades financeiras produzidas na Petrobras pelos desvios e erros administrativos.














