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Eleições 2014
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"Alfa. Fox. Alfa" e a tremedeira que confirmou a morte de Campos

Repórter do R7 relata a tensão que marcou a tragédia do ex-governador de PE em Santos

Eleições 2014|Diego Junqueira, do R7, em Santos (SP)

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Eduardo Campos (1965-2014)
Eduardo Campos (1965-2014)

Um Eduardo Campos gigante, quase irreconhecível, inclina o corpo à minha frente. "Faz frio aí?", pergunto ao homem dentro daquele "boneco de Olinda". Ele me responde apenas:

— Não. Aqui tá muito quente.

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A quarta-feira (13) amanheceu fria e chuvosa em Santos, mas era esperada uma festa na cidade do litoral paulista. Além daquele boneco de mais de 2 m de altura, militantes do PSB (Partido Socialista Brasileiro) vestiram suas camisetas, empunharam cartazes e ligaram o carro de som: “Coragem pra mudar o Brasil. Eu vou com Eduardo e Marina”.

Eles aguardavam pela chegada de Eduardo Campos, o candidato do partido à Presidência da República, que daria uma entrevista coletiva em frente ao Mercado Municipal. Em seguida, ele partiria em uma catraia — pequena embarcação local — até o Guarujá, onde cumpriria a exaustiva agenda de um político em campanha.

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Mas a chuva que assolava a fria manhã — sem muita força, incansável e agravada por uma ventania de rasgar — mudou os planos. Eduardo não viria.

Eram dez horas da manhã. Àquela hora, enquanto os socialistas cancelavam o passeio de catraia por causa do mau tempo, uma aeronave Cessna, modelo 560XL, prefixo AFA, vinda do Aeroporto Santos Dumont, no Rio, caía no bairro do Boqueirão, em Santos.

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Só que ali, à beira do Atlântico, não sabíamos de nada. A única constatação era a ausência do candidato. Sua morte seria anunciada aos poucos, no período de duas horas, por uma série de coincidências difícil de acreditar.

Após o adiamento da agenda do candidato, eu e uma colega tomamos uma barca de Santos rumo a Vicente de Carvalho, distrito da cidade do Guarujá. O candidato era aguardado por dezenas de pessebistas, entre eles, o deputado federal Márcio França, presidente do partido em São Paulo e aliado de Campos.

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Na viagem de dez minutos, iniciada às 10h35, o assessor de França contou à minha colega duas informações que não queríamos juntar: “um helicóptero (ou uma aeronave) caiu em Santos”; além de "a aeronave que trazia Eduardo ainda não pousou no Guarujá".

Imediatamente ligamos para a Polícia Militar de Santos, que nos confirmou "um" acidente aéreo. Apenas. Telefonamos também para Carlos Percol, assessor de imprensa e amigo do candidato, que o acompanhava em toda a agenda. Só deu caixa postal.

Ainda assim, nossa expectativa — e quase certeza — era chegar ao Guarujá, encontrar o candidato e sua equipe, trabalhar e riscar mais um dia da jornada que termina em outubro.

Mas as esperanças foram nos deixando ao desembarcar do outro lado do canal. Dentro da Mercearia Rainha do Norte, quartel-general momentâneo da campanha, França tremia ao beber água. Estava diante de uma avalanche.

“Alfa. Fox. Alfa”, falou alto um dos militantes. Era o prefixo da aeronave acidentada: PR-AFA. Faltava saber o prefixo da aeronave de Eduardo.

Em meio a informações desencontradas, militantes se apegavam à chance de ele ter utilizado outra aeronave. Ou então teria vindo de helicóptero. Ou teria arremetido e voltado ao Rio por causa do mau tempo... A esperança durou pouco.

A televisão informou que a aeronave acidentada tinha vindo do Rio de Janeiro. “Quanta coincidência”, sussurrou França. 

Só nos demos conta de que as peças se encaixavam quando ouvimos de novo aquelas três letras: AFA. Era o prefixo do jato executivo usado naquela manhã pelo ex-governador de Pernambuco.

Corremos para a Prefeitura de Santos, nós e os socialistas, debaixo da chuva, que não parava de cair, incansável.

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