Em debate na TV, Pimenta e Pimentel trocam acusações sobre falta de obras no metrô de BH
Militantes de PT e PSDB entraram em confronto antes do programa
Minas Gerais|Enzo Menezes, do R7


A falta de obras no Anel Rodoviário e no Metrô de Belo Horizonte esquentou o debate entre candidatos ao Governo de Minas realizado na noite desta quinta-feira (7) pela Band Minas. Esbanjando sarcasmo, Fernando Pimentel (PT) e Pimenta da Veiga (PSDB) trocaram acusações sobre as responsabilidades entre os governos federal e estadual nos últimos 12 anos.
Os candidatos mostraram como estas obras devem ser um tema sensível durante a campanha - administrações petistas e tucanas não construíram um metro na única linha disponível na capital mineira.
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Pimenta perguntou como Pimentel, "ministro poderoso" e "amigo da presidente", explicaria a questão, já que seriam obras a cargo da administração federal. O petista afirmou que "o dinheiro federal existe", mas a administração tucana "não consegue fazer o projeto. Entregou agora, com atraso, e estava errado. Nem orçamento tinha, então o governo federal devolveu o projeto". "O governo estadual tem que cumprir sua parte, vamos assumir a responsabilidade".
Pimenta rebateu afirmando que o petista "está mal informado, pois o acordo feito com o governo federal foi em maio do ano passado. Por que em 11 anos não foi feito rigorosamente nada?". Ele ainda apontou que parte do Anel foi privatizada, mas "curioso que [Pimentel] como prefeito e ministro não saiba". Na tréplica, Pimentel lembrou que o trecho privatizado não passa por BH e insistiu que "a responsabilidade foi transferida ao governo do Estado e o metrô aguarda a entrega do projeto". "Reclamar e jogar a culpa no outro não é a atitude que queremos para Minas".
Confronto
Antes do debate, militantes dos dois partidos entraram em confronto na porta da emissora, na avenida Raja Gabaglia, na região oeste. Mastros de bandeiras foram usados para agredir apoiadores da candidatura rival, e pelo menos duas pessoas foram atingidas por pedradas.
Trechos do debate:
Além de Pimenta e Pimentel, participaram do debate os candidatos Tarcísio Delgado (PSB) e Fidélis Alcântara (PSOL). Todos responderam a perguntas sobre economia, educação, saúde e segurança antes de fazerem perguntas entre si. Confira trechos do programa:
Economia:
" É um problema muito sério a tentativa de privatizar a Gasmig. Isso é um absurdo, não é necessário vender a empresa nem fazer chantagem com a população" (Fidélis Alcântara)
"A questão tributária é uma grave questão nacional. Nossa tributação é opressora e precisa passar por uma grande reforma. Enquanto não acontecer, Minas tem que agir no seu limite. O governo estadual desonerou vários setores, como o do etanol, mas precisamos simplificar o processo de arrecadação. Não há hipótese de aumentarmos nenhum tributo" (Pimenta da Veiga)
"Segundo um secretário da Fazenda, o Estado está falido. Não sei como se pode prometer reduzir tributos de um Estado falido e que não onera como deveria a maior riqueza de Minas. [O minério] está entregue à iniciativa privada de grupos estrangeiros" (Tarcísio Delgado)
" Segundo a Economist, Minas caiu de 3º para 6 º em competividade, os Estados do Sul passaram. Isso tem basicamente a ver com a estrutura inadequada e a falta de projetos de desenvolvimento que não atrai empresas. Vamos mudar a tributação para simplificar e rever alíquota do ICMS, que hoje é a maior do Brasil" (Fernando Pimentel)
Educação:
"Tem que fazer com austeridade para o recurso duplicar, com competência para render e ter participação popular. Não é fazer para alguém, mas com alguém. O PSDB deveria pedir desculpa e não lançar candidato ao governo, pelo nível em que o Estado chegou". (Tarcísio Delgado)
"A educação está em estado lamentável. Não é possível pagar R$ 1.400 para o professor, esse salário é o 24º mais baixo do Brasil. Isso é básico, recuperar o piso e destinar 25% do orçamento com educação, o que não foi adequadamente gastos nesses anos de PSDB. Fizeram provas do Ideb em 70 escolas, entre 3.600. Isso é um simulacro". (Fernando Pimentel)
"A educação é minha prioridade. Tudo vai começar com uma parceria com a comunidade educacional. Pelos dados do MEC, Minas tem a melhor educação básica do Brasil nos anos iniciais, mas queremos ir além. Vamos levar a educação integral a todas as escolas, tirando os jovens das ruas e das más influências. Vamos aproveitar o dinamismo da tecnologia levando tablets a professores e alunos. Todos os alunos devem ser estimulados a saber uma segunda líungua, vamos propor um intercâmbio cultural. Levar aquele aluno de uma cidadde simpes para o Canadá, os EUA, a Europa". (Pimenta da Veiga)
"Ao contrário das propagandas do Governo, a educação em Minas está cada vez pior. Não pagamos o piso nacional, não temos plano de carreira, não respeitamos o tempo para preparar aula. Minas paga juros da dívida que consome 40% de tudo que arrecada. Se não fizer auditoria da dívida pública, não vai ter dinheiro para educação saúde, nada" (Fidélis Alcântara).
Saúde:
"Tem que cumprir o que está na Constituição: 12% do orçamento para a saúde. Em 12 anos em Minas, os tucanos nunca cumpriram. Tiveram que fazer um ajustamento para jogar para o próximo governador. Nenhum hospital regional foi entregue e temos nove esqueletos inacabados. O Governo do Estado não soube usar os recursos". (Fernando Pimentel)
"Vamos levar o atendimento para perto do cidadão. Temos um sistema de atendimento de urgência que é modelo para o mundo, composto de ambulâncias e helicópteros. A ideia é reduzir desigualdades". (Pimenta da Veiga)
"É preciso criar médicos da família, como fiz em Juiz de Fora, o que fez com que ambulatórios se esvaziassem. As pessoas eram atendidas em suas casas e só saíam quando o médico determinava a internação" (Tarcísio Delgado)
"Não podemos aceitar o sucateamento do SUS. Estão fazendo PPPs, desviando dinheiro para o empresário, terceirizando obra e parceria para administrar hospital. Estão roubando o SUS enquanto o BDMG financia hospital particular, mas não financia a saúde do Estado". (Fidélis Alcântara)
Manifestações:
"Foi espontâneo, sem líderes. O melhor é ficar nas faixas exibidas, que diziam: basta de corrupção. Basta falta de competência do Governo Federal. Naquelas manifestações houve o sinal de que o Brasil queria mudanças profundas, como o brasileiro vai às urnas com esse propósito de mudar". (Pimenta da Veiga)
Segurança:
"Segurança não é mais polícia e arma na rua, é garantia de direitos. Temos que inverter a lógica de que armar até os dentes vai acabar com violência" (Fidélis Alcântara)
"Minas tem feito muito. Investiu em dez anos R$ 47 bilhões em segurança pública, enquanto o governo federal investiu R$ 7 bilhões. O governo federal não criou um plano nacional de segurança, mas escancarou nossas fronteiras, onde entram drogas e armas". (Pimenta da Veiga)
"Temos uma situação de insegurança absoluta. A PM tem menos militares na ativa do que há 12 anos, a carreira do policial civil está desestimulada. Temos que dar condições de trabalho." (Fernando Pimentel)
Mandato:
"Por questões partidárias, fui obrigado, quero dizer, levado a disputar o governo e tive que deixar a prefeitura. Mas meu lugar é Minas. Os maiores mineiros rodaram o mundo e não perderam a mineiridade". (Pimenta da Veiga)
"Quando foi candidato a prefeito, fez a mesma declaração de que jamais largaria BH. E largou um ano e meio depois". (Tarcísio Delgado)
Ocupações populares:
"Quem coloca a polícia em cima do povo é o Estado. A prefeitura reivindica as terras (ocupadas em BH), mas existem 250 comunidades que ocupam terrenos do Estado e de prefeituras ameaçadas de remoção pela PM. O aparato repressivo está pronto para bater no povo pobre que luta para sair do aluguel". (Fidélis Alcântara)
"(Áreas das ocupações) são reivindicadas pela prefeitura para fazer projeto habitacional que possa atender um grande número de pessoas, quem sabe até as pessoas que estão lá. Quero ver as pessoas instaladas, não quero ver ninguém invadindo terra e ficando em barraco precário de lona, expostas ao frio e à chuva". (Pimenta da Veiga)
