Bebê que seria traficado na Grande BH é entregue para adoção
Há suspeita de que a criança, que nasceu em Betim, seria levada para Portugal
Minas Gerais|Do R7 com Record Minas

A Justiça decidiu que o bebê nascido no Hospital Regional de Betim, na Grande BH, que seria traficado por uma quadrilha especializada, seja entregue para a adoção. A informação foi confirmada pelo delegado responsável pelo caso, Tito Barrichello. Na tarde de hoje (16), o delegado ouviu mais uma pessoa envolvida no caso: a funcionária pública Cláudia Gonçalves Denise. A mulher é funcionária da unidade de saúde e conseguiu facilitar a entrada da mãe da criança no local, usando documentos falsos em nome da compradora do bebê.
No final da tarde, após ouvir a mulher, o delegado ainda relatou que a mãe da criança teria dito à psicóloga do hospital que pretendia dar o bebê. Há ainda a suspeita de que o bebê seria levado para Portugal.
— No momento em que esta criança estava com a mãe, a psicóloga a questionou se ela tinha amor para dar para esta criança e essa mãe disse que não tinha. Com medo, a psicóloga ainda perguntou se podia então levar o bebê e a jovem disse que podia.
A psicóloga da unidade deve ser a última testemunha ouvida pelo delegado antes do encerramento do inquérito.Por telefone, a mãe de Janaína alegou que a filha foi vítima da quadrilha. A jovem recebeu alta e está hospedada na casa de parentes, no interior do Estado.
O caso
Eliane Azzi, de 37 anos, foi presa suspeita de participar de um esquema de tráfico de crianças na região metropolitana de Belo Horizonte. A Polícia Civil desconfia que ela integra uma quadrilha especializada no crime.
Eliane foi encontrada após uma mulher identificada como Selena Castiel Gualberto dar entrada no Hospital Regional de Betim em trabalho de parto. Ela chegou acompanhada da suspeita, que afirmou ser patroa da paciente. Ao ser questionada pela equipe médica, a gestante entrou em contradição e acabou revelando o nome verdadeiro.
Desconfiado da atitude da paciente e da insistência de Eliane em ficar com a criança antes mesmo que a mãe tivesse alta, o diretor do hospital chamou a polícia.
— Elas demonstravam uma ansiedade muito grande em retirar a criança. Foi mais de uma tentativa, várias pessoas tentaram.
A Polícia Civil fez uma operação e prendeu em flagrante a mulher que afirmava ser amiga de Selena. De acordo com o delegado Tito Barrichelo, a equipe descobriu que todos os documentos apresentados na unidade de saúde eram falsificados.
— A verdadeira Selena era uma advogada que estava em Pernambuco.
Quadrilha
Eliane foi levada para a delegacia, onde disse que os documentos eram verdadeiros e que era muito amiga de Selena. O celular da mulher foi apreendido. Nele o delegado encontrou mensagens que ela trocou com uma pessoa ainda não identificada.
Em um dos textos, Eliane demonstra preocupação com os questionamentos das psicólogas do hospital.A paciente na verdade se chama Janaína Carvalho e contou ao delegado que tinha intenção de doar o filho, por não ter condições de cuidar da criança. Ela chegou a anunciar a ideia em um blog, na internet.
A polícia ainda não sabe quanto Selena pagaria pelo bebê, mas a mulher que está em Pernambuco ainda vai ser investigada. Com a prisão de Eliane, a Polícia Civil pretende chegar a outras pessoas que estejam ligadas ao tráfico de crianças em Belo Horizonte e na região metropolitana.










