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‘Paciente aposta a saúde’, alerta endocrinologista, após operação apreender anabolizantes irregulares em BH

Polícia Civil prendeu três suspeitos e retirou de circulação mais de 70 mil unidades

Minas Gerais|Cler Santos, do R7 e Camila Cambraia, da RECORD Minas.

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A nandrolona é um esteroide anabolizante derivado da testosterona
A nandrolona é um esteroide anabolizante derivado da testosterona RECORD Minas/ Reprodução

LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Polícia Civil de Minas Gerais prendeu três suspeitos em operação contra anabolizantes irregulares em Belo Horizonte.
  • Foram apreendidas cerca de 70 mil unidades de substâncias, incluindo anabolizantes e medicamentos proibidos.
  • Endocrinologista alerta para os riscos da utilização de hormônios sem acompanhamento médico, podendo prejudicar a saúde.
  • O uso de produtos irregulares no mercado ilegal representa um grave risco à saúde pública e possíveis crimes relacionados.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

“Quando se trata de hormônios, a gente fica preocupado com a saúde global do paciente.” O alerta é do endocrinologista Luis Guilherme Menegucci, ao comentar os riscos do uso de anabolizantes e medicamentos para emagrecimento sem acompanhamento médico — substâncias que foram alvo de uma operação da Polícia Civil de Minas Gerais na manhã desta sexta-feira (1º/5), no bairro Betânia, na região Oeste de Belo Horizonte.

A ação terminou com três pessoas presas, suspeitas de envolvimento na comercialização irregular desses produtos.


Segundo as investigações, o grupo atuava de forma estruturada, com pontos de venda espalhados pela capital e logística própria para distribuição.

Parte das substâncias seria proveniente de contrabando, furtos e desvios de carga, o que pode configurar crimes contra a saúde pública, além de contrabando, descaminho e receptação.


A operação começou após o monitoramento de uma loja de suplementos. Durante a campanha, policiais flagraram um homem descarregando sacolas com anabolizantes no local.

Ele foi abordado junto com uma mulher que estava na loja. Ambos afirmaram que não sabiam da origem ilícita dos produtos. Com o avanço das diligências, os investigadores localizaram um imóvel usado como depósito, também no Betânia, onde um terceiro suspeito foi preso. De acordo com a Polícia Civil, ele seria responsável pelo armazenamento e separação das mercadorias antes da distribuição.


Ao todo, foram apreendidos cerca de 60 mil ampolas e frascos, além de mais de 10 mil comprimidos e medicamentos de comercialização proibida ou restrita. Todo o material foi encaminhado para perícia. Um quarto suspeito já foi identificado como responsável pela venda e recrutamento dos demais integrantes do esquema, mas segue foragido.

Dano nacional

Os números nacionais reforçam a dimensão do problema. Entre janeiro e abril deste ano, a Receita Federal e a Polícia Federal apreenderam mais de 59 mil canetas emagrecedoras irregulares no país. Em todo o ano passado, foram cerca de 32 mil. Segundo a Anvisa, apenas em 2026, o total de medicamentos irregulares, produtos estéreis e anabolizantes apreendidos já ultrapassa 1,3 milhão de unidades.


Para o endocrinologista, um dos principais problemas é a origem dos produtos. “A gente não sabe como foi feito o transporte, o armazenamento, nem qual é de fato a substância que o paciente está utilizando. Sem esse controle, é apostar a saúde”, explica.

Entre os itens apreendidos estão substâncias como o decanoato de nandrolona — um esteroide anabolizante derivado da testosterona — e diferentes sais de testosterona, que possuem uso médico específico, como tratamento de perda de massa muscular e reposição hormonal. No entanto, o uso fora desse contexto pode causar efeitos colaterais importantes, como alterações hormonais, problemas cardiovasculares e danos renais.

O especialista também chama atenção para o uso dessas substâncias com fins estéticos. “O coração também é um músculo e pode hipertrofiar. Por isso, é fundamental avaliação e acompanhamento médico contínuo”, alerta.

Outro fator que impulsiona o consumo é o preço mais baixo no mercado ilegal. Segundo o médico, esse custo reduzido pode esconder riscos ainda maiores. “Muitas dessas medicações são falsificadas ou não passam por controle de qualidade. O risco é muito alto”, afirma.

A Polícia Civil segue investigando o caso para identificar outros envolvidos no esquema e reforça que a comercialização e o consumo de medicamentos irregulares representam não apenas crime, mas um grave risco à saúde pública.

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