Com inventário atrasado, BH registra mais de 100 quedas de árvores em 20 dias
Previsão era de que levantamento das árvores tivesse sido concluído em 2012
Minas Gerais|Thaís Mota, do R7


Com o Inventário das Árvores atrasado há mais de dois anos, Belo Horizonte tem registrado inúmeros incidentes com árvores. A maior parte das ocorrências está relacionada a quedas provocadas especialmente em período de chuva, o que poderia ser evitado ou minimizado caso o relatório sobre as espécies plantadas nas ruas, avenidas e parques da capital estivesse sido concluído.
Segundo o Corpo de Bombeiros, entre o dia 1º e 19 de fevereiro foram registradas 251 ocorrências envolvendo árvores em BH. Desse total, 123 foram de árvores que caíram sobre casas, carros ou sobre a via pública. Outras 76 ocorrências foram cortes realizados em árvores com risco de queda, além de 52 vistorias.
De acordo com o capitão Thiago Miranda, os números registrados ao longo do mês são bastante expressivos, mas estão diretamente relacionados às pancadas de chuva que caíram na capital mineira neste período. Ele explica ainda que isso é comum nesta época do ano.
— A água acaba deixando a árvore pesada o suficiente para cair e, geralmente, quando ela cai é porque a terra estava muito seca, a raiz sem espaço ou os galhos enfraquecidos.
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E a saúde das árvores é justamente o que motivou a Prefeitura de BH a contratar uma empresa para realizar o Inventário. Entretanto, o relatório que tinha previsão para ser concluído em 2012 e pretendia catalogar 300 mil árvores foi adiado. Segundo a Secretaria Municipal de Meio Ambiente, a nova previsão é de que o inventário só fique pronto em fevereiro de 2016.
Mas, o gerente de Projetos Especiais da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Júlio De Marco, garantiu que mesmo que o inventário estivesse finalizado não seria suficiente para impedir as quedas de árvores. Segundo ele, o levantamento serviria apenas como mais um instrumento para auxiliar os técnicos das regionais na vistoria da qualidade das espécies.
— O inventário pode auxiliar nesse processo de verificação de árvores com risco de queda, mas muitas dessas quedas acontecem devido às condições meteorológicas. Ou seja, não é possível prever ou evitar esse tipo de coisa.
Ainda conforme Júlio De Marco, o relatório que está catalogando as árvores da capital funcionará como um banco de dados que auxiliará as regionais no manejo das árvores e também servirá como orientação sobre quais ações tomar em caso de praga ou sobre quais espécies plantar em determinado corredor viário. Ele explica ainda que este levantamento deverá ser atualizado com frequência já que as condições de saúde das árvores mudam constantemente.
Até agora, aproximadamente 250 mil árvores já foram inventariadas pela PBH e em parceria com a Ufla (Universidade Federal de Lavras) e a Cemig (Companhia Energética de Minas Gerais). Entretanto, segundo Júlio De Marco, durante este processo, a estimativa do número de árvores existentes na capital passou de 300 mil para 465 mil. Com isso, uma nova licitação será realizada para contratar outra empresa ou uma nova parceria será firmada para que sejam catalogadas as outras 165 mil árvores. No entanto, isso só deve ser feito após a conclusão da primeira parte do inventário, prevista 2016.
Em caso de risco de queda
A PBH informou que as regionais fazem uma vistoria constante nas árvores da capital. Entretanto, caso a população note alguma movimentação estranha em uma árvore próxima de sua residência ou do local onde mora deve acionar a Prefeitura pelo telefone 156 ou o Corpo de Bombeiros pelo 193.
O capitão Thiago Miranda alerta para alguns sinais que podem significar risco de queda iminente. O primeiro deles é quando a raiz começa a romper o cimento da calçada, o que significa que ela está ficando sem espaço e, consequentemente, sem força. A partir daí, ele explica que outras coisas devem ser observadas, como uma rachadura em uma parede próxima de onde há uma árvore.
— Neste caso, a recomendação é colocar um esparadrapo na rachadura e observar. Se ele se romper significa que ela está aumentando e, neste caso, deve-se acionar os bombeiros para verificar a situação e detectar o risco antes que a árvore caia.















