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‘Ele queria uma carta de união estável’, relata amiga sobre namorado de estudante morta

Morte de Giovana Rocha, em fevereiro, foi inicialmente tratada como suicídio e agora é investigada como feminicídio

Minas Gerais|Do R7

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • A morte de Giovana Neves Santana Rocha, inicialmente considerada suicídio, agora é investigada como feminicídio.
  • O suspeito, Adalto Martins Gomes, mantinha controle emocional e financeiro sobre a vítima, explorando sua vulnerabilidade.
  • Após a morte de Giovana, Adalto tentou obter um documento de união estável para garantir direitos sobre seus bens.
  • Familiares e amigos se mobilizam para ajudar na investigação, reunindo evidências do comportamento controlador do suspeito.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Comportamento de Adalto Gomes após a morte da jovem foi o que mais despertou suspeitas entre as amigas Reprodução/RECORD Minas

O caso da morte de Giovana Neves Santana Rocha, de 22 anos, ganhou novos contornos, nesta semana, quando a Polícia Civil informou que a investigação aponta que Giovana foi vítima de feminicídio, e não suicídio, como foi inicialmente tratado. Em entrevista, Ludmilla Dias, amiga da vítima, descreveu um relacionamento marcado por manipulação emocional, dependência financeira, episódios de violência e uma disputa por patrimônio após a morte da vítima.

Segundo Ludmilla, o suspeito, Adalto Martins Gomes, de 45 anos, construiu ao longo do relacionamento uma imagem de “salvador” para justificar comportamentos controladores e manter Giovana emocionalmente dependente. Após a morte de Giovana, Adalton mandava mensagens para Ludmilla escrever uma carta contando que os dois viviam uma união estável.


“Ele repetia que tinha salvado a vida dela”

A amiga de Giovana, Ludmilla, conta que a dinâmica de controle teria se intensificado após uma tentativa de suicídio vivida por Giovana meses antes da morte. Ludmilla afirma que Adalto passou a usar o episódio como instrumento de pressão psicológica.

“Ele transformou isso num peso para ela. Falava: ‘Eu te salvei, você tentou tirar sua vida, mas eu te dei ela de volta’”, contou. Segundo a amiga, o suspeito também reforçava constantemente para familiares e conhecidos a narrativa de que era responsável por “cuidar” da jovem.


“Ele falava para todo mundo: ‘Eu ajudei a Giovana, eu comprei as coisas da casa, eu dei a geladeira que ela queria’. Ele construía essa imagem de homem indispensável”, afirmou.

Dependência financeira e isolamento

Ludmilla relata que Giovana vivia um momento de vulnerabilidade emocional e financeira, situação que, segundo ela, teria sido explorada pelo suspeito. A jovem não trabalhava formalmente e enfrentava dificuldades para manter o apartamento onde morava. Para a amiga, isso acabou fortalecendo uma relação de dependência.


“A Giovana ficou presa naquela situação. Ela pensava: se ele for embora, como vou me sustentar?”, disse. Além do controle emocional, Ludmilla afirma que também houve agressões físicas durante o relacionamento. Segundo o relato, em uma crise de ansiedade, Giovana teria sido agredida pelo companheiro. “Ele bateu no rosto dela”, relembrou.

Pressão por documento de união estável

O comportamento de Adalto após a morte da jovem foi o que mais despertou suspeitas entre as amigas, segundo Ludmilla. Ela conta que, ainda durante o período de luto, passou a receber mensagens e áudios insistentes do suspeito. O principal objetivo seria conseguir um documento que comprovasse união estável entre ele e Giovana.


“Ele queria que eu escrevesse uma carta dizendo que eles eram uma família, que ela foi amada”, contou. Ludmilla afirma que, quando começou a questionar a relação e demonstrou resistência em produzir o documento, o tom das conversas mudou.

“Ele falou: ‘Não estou pedindo sua opinião. Estou mandando você fazer’”, relatou. Segundo as amigas da vítima, o reconhecimento da união estável poderia garantir ao suspeito direitos sobre bens e patrimônio de Giovana.

“Um segundo luto”

A reviravolta na investigação provocou forte impacto emocional entre familiares e amigos da jovem. Para Ludmilla, descobrir que o caso passou a ser tratado como feminicídio representou viver o sofrimento novamente. “Foi como passar por um segundo luto”, desabafou.

Ela afirma que pessoas próximas da vítima reuniram prints, mensagens e outros materiais entregues à polícia para colaborar com as investigações.

“Sinceramente, eu espero que a justiça seja feita. A Giovana era uma menina brilhante, inteligentíssima, cheia de sonhos”, afirmou.

O caso segue sendo investigado pelas autoridades.

Entenda o caso

A estudante foi encontrada morta no dia 9 de fevereiro deste ano dentro do apartamento onde morava, na Rua Pernambuco, na Savassi, região Centro-Sul de Belo Horizonte. Inicialmente, o caso foi tratado como suicídio. No entanto, um laudo pericial apontou sinais de asfixia mecânica por sufocação direta, levando a polícia a reclassificar a investigação como feminicídio.

Segundo as investigações, o suspeito, de 45 anos, teria isolado a jovem de amigos e familiares ao longo do relacionamento. A polícia também apura possível motivação financeira, já que a estudante teria cerca de R$200 mil em contas bancárias.

Ainda conforme a investigação, o homem passou a morar no apartamento da vítima poucos dias após o início do relacionamento. Ele foi preso temporariamente na última sexta-feira (15).

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