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Quadrilha presa em Minas beneficiou 20 candidatos com fraude no Enem

Polícia Civil e Ministério Público confirmaram como o esquema acontecia nesta quarta-feira

Minas Gerais|Do R7

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Esquema foi descoberto durante vestibular no último domingo
Esquema foi descoberto durante vestibular no último domingo

A quadrilha presa por fraudar o vestibular de medicina da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais, realizado no último fim de semana em Belo Horizonte, também fraudou o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio). A informação foi confirmada nesta quarta-feira (26) pela Polícia Civil e pelo Ministério Público.

De acordo com o delegado Antônio Júnio Dutra Prado, há meses os dois órgãos acompanham a atuação do grupo, que obteve informações privilegiadas sobre o exame em Mato Grosso. Os dados foram repassados para 20 candidatos.

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— Em Mato Grosso, durante a realização do Enem, eles conseguiram os cadernos de questões mesmo antes das provas. Temos os registros das comunicações realizadas entre os envolvidos. Entre 15 e 20 candidatos tiveram acesso às respostas.

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No último domingo (23), 11 pessoas foram presas em flagrante repassando o gabarito das provas, por ponto eletrônico, a 22 candidatos que prestavam vestibular para a Faculdade de Ciências Médicas. Uma outra pessoa acusada de integrar o bando foi presa nessa terça-feira (25) em Montes Claros, no norte de Minas.

As apurações apontam indícios de um esquema que há anos pode estar fraudando vestibulares e o Enem. Somente nos últimos meses, quatro vestibulares de medicina, a maior parte em São Paulo, além do Enem, foram fraudados. Até janeiro de 2015, a organização pretendia atuar em outros cinco certames.

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A fraude, segundo o procurador de Justiça André Estevão Ubaldino, funcionava da seguinte forma: pessoas, chamadas de "pilotos", com alta capacidade intelectual, faziam parte das provas rapidamente, saíam com os resultados das questões e, com o apoio de colaboradores e sob a coordenação de dois líderes, repassavam o gabarito para os candidatos compradores das vagas por meio de transmissão eletrônica, com a utilização de equipamentos de última geração, alguns deles importados da China.

As vagas para os vestibulares custavam entre R$ 50 e R$ 70 mil e a maior parte do valor era depositada para o grupo criminoso após a confirmação da aprovação do candidato. Tudo era "garantido" por meio de um contrato denominado "autorização para assessoria estudantil".

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Origem do dinheiro

Os pais dos candidatos suspeitos de comprar vagas também poderão ser investigados, conforme o promotor de justiça André Luís Garcia de Pinho.

— Como jovens estudantes conseguem essa quantia? O Ministério Público irá pedir a quebra de sigilos bancários para apurar de onde partiu o dinheiro.

Caso seja confirmado o envolvimento dos candidatos e dos pais, eles poderão ser indiciados e denunciados por fraude em certame de interesse público. Já os operadores da fraude poderão responder pelos crimes de formação de organização criminosa, fraude em certame de interesse público, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro.

Os doze integrantes do grupo estão presos preventivamente. O MPMG e a Polícia Civil deverão pedir à Justiça a conversão das prisões em temporárias, como forma de garantir a ordem pública.

Anulação das provas

De acordo com o procurador de Justiça André Ubaldino, os vestibulares e exames fraudados poderão ser anulados caso não se consiga identificar todas as pessoas favorecidas. A medida poderá ser tomada tanto via administrativa, caso o ente responsável pelo certame considere apropriado, quanto por meio judicial, se os Ministérios Públicos estaduais ou federal comprovarem o dano à coletividade.

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