Universidade mineira é alvo de polêmica ao aderir à campanha #liberameuxixi
Adesão faz parte de uma iniciativa de combate à transfobia no Brasil
Minas Gerais|Thaís Mota, do R7, em Belo Horizonte

Ao aderir à campanha #liberameuxixi, a UFJF (Universidade Federal de Juiz de Fora), na Zona da Mata mineira, foi alvo de inúmeras críticas. A iniciativa, que faz parte de uma ação de combate à transfobia no País, consiste na liberação do uso dos banheiros da instituição de acordo com o gênero com o qual a pessoa se identifica.
A medida foi adotada no dia 25 de novembro e, nessa mesma data e também em dias subsequentes, a instituição publicou vídeos e mensagens em sua página no Facebook sobre a campanha. No entanto, várias pessoas comentaram e compartilharam as publicações criticando a iniciativa. Entre as principais reclamações estão a de que a campanha pode ser utilizada como desculpa para que homens heterossexuais entrem nos banheiros femininos. Algumas pessoas chegaram a argumentar, inclusive, que isso poderia possibilitar casos de violência sexual dentro da universidade.
No entanto, a diretora de ações afirmativas da UFJF, Carolina dos Santos Bezerra, afirma que essa possibilidade não existe. Ela garante que a campanha é bastante clara e não autoriza o uso do banheiro feminino por homens heterossexuais.
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— A placa não dá nenhuma margem para que homens heterossexuais entrem em um banheiro feminino. Por isso, não há perigo.
Ainda segundo Carolina, a decisão da UFJF em aderir à campanha atende a uma reivindicação do movimento estudantil e busca o combate ao preconceito, seja ele de gênero, raça ou classe social. Ela também disse que as críticas já eram esperadas, mas admite que se surpreendeu com o tom de alguns comentários publicados nas redes sociais.
— A campanha acabou trazendo à tona preconceitos de toda a natureza. Mas, tudo isso segue uma lógica de uma herança escravocrata e latifundiária do País. Há ainda um desconhecimento muito grande da sociedade, mas é papel da universidade ser um ambiente de vanguarda e ter um papel educador e de formador de opinião.
Ela também informou que a UFJF fará um trabalho de orientação, sensibilização e formação dos alunos e da comunidade acadêmica para que eles sejam mais conscientes acerca da diversidade. E, de acordo com a diretora, a adesão à campanha está respaldada pela Resolução 12 do Conselho Nacional de Combate à Discriminação e Promoção dos Direitos de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais, da Secretaria de Direitos Humanos, que reconhece os direitos de lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros (LGBT) nas instituições de ensino e prevê que eles escolham o banheiro e o tipo de uniforme que irão utilizar.















