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AfroReggae retoma atividades no Alemão após incêndio, mas sede da ONG amanhece com marcas de tiros

Imóvel da ONG no conjunto de favelas foi incendiado há cerca de duas semanas

Rio de Janeiro|Do R7

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Incendiada há cerca de duas semanas, a sede do AfroReggae no Complexo do Alemão, zona norte do Rio, amanheceu com ao menos oito marcas de tiro de fuzil nesta quarta-feira (31), dia em que a ONG retormou as atividades na comunidade. A volta do AfroReggae ao Alemão estava prevista para quinta (1º), mas o coordenador da ONG, José Junior, anunciou, via Twitter, a antecipação do evento.

— Quinta é muito longe para um evento tão importante.


Ao comentar os tiros, Júnior não se mostrou assustado. Ele afirmou que não deixará o Alemão, mesmo sob ameaça.

— Para mim, oito tiros demonstram fraqueza. Só os fracos fazem isso. Até mesmo porque não tinha ninguém armado na sede. Vamos ficar aqui, não vai ser fácil, mas os moradores querem e a sociedade nos apoia. Isso nos motiva.


O governador Sérgio Cabral e o Secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, participaram do evento. Segundo Beltrame, a ordem para os tiros partiu de traficantes presos.

— Foram pessoas ligadas à facção criminosa que comandava o tráfico aqui no Alemão. Isso foi ordem de pessoas que estão em presídios, mas acham que tem o comando na comunidade.


Durante a madrugada, moradores do Alemão denunciaram que ocorria um tiroteio no conjunto de favelas. A PM disse que não entrou em confronto com criminosos e que não recebeu chamados para ocorrências na região.

Fogo e ameaças


De acordo com José Junior, o incêndio que atingiu o imóvel do AfroReggae, onde funcionava uma pousada e a redação do jornal Voz da Comunidade, foi criminoso. Ele apontou o pastor Marcos Pereira, da Assembleia de Deus dos Últimos Dias, como mandante.

— A ordem vem do Marcos Pereira, que se diz pastor e não tem nada de pastor. Desde que nos posicionamos contra ele, aconteceram coisas. Não vai nos surpreender se aparecer droga no AfroReggae ou se alguém aparecer morto, até mesmo eu.

Um homem, inicialmente resgatado como vítima, é o principal suspeito de ter ateado fogo ao imóvel. Wagner Moraes da Silva teve 30% do corpo queimado.

Diante de ameaças, o coordenador da ONG chegou a anunciar o fim das atividades no Alemão. Contudo, após sentar à mesa e negociar com a prefeitura e a Polícia Militar, voltou atrás. O prefeito Eduardo Paes ofereceu parceria e propôs, inclusive, apoio do governo do Estado na segurança.

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