Logo R7.com
RecordPlus
‌

Juristas veem sombra da ditadura em cerco a advogados de ativistas

Polícia Civil do Rio de Janeiro admitiu que foram feitas escutas a profissionais

Rio de Janeiro|Alvaro Magalhães, do R7

  • Google News

Adicione como fonte preferencial no Google

Opens in new window
A ativista Sininho
A ativista Sininho

Juristas criticaram o grampo a advogados de ativistas do Rio de Janeiro. O caso foi revelado, nesta quarta-feira (23), pelo presidente do DDH (Instituto de Defesa dos Direitos Humanos), João Tancredo.

A Polícia Civil admitiu que as escutas foram feitas. O órgão afirmou que o procedimento teve “autorização da Justiça e crivo do Ministério Público".

‌

Breno Melaragno Costa, da Comissão de Segurança Pública da OAB-Rio, comparou a ação a métodos usados em ditaduras.

— Eu não gosto muito desse discurso acostumado a comparar tudo a ditadura. Mas dessa vez, eu realmente fiquei estarrecido. Quem teve acesso ao processo vê o procedimento faz realmente lembrar o regime militar.

‌

Costa diz que a prerrogativa profissional se estende à sociedade.

— Não é um privilégio de advogados, mas um direito de todo cidadão de não ter a conversa com seu advogado monitorada.

‌

Justiça do Rio suspende prisão de 23 ativistas

Leia mais notícias de Rio de Janeiro

‌

Martim de Almeida Sampaio, diretor da Comissão de Direitos Humanos da OAB-SP, também comparou o cerco aos advogados aos anos de chumbo.

— Isso não ocorria nem na ditadura. Durante o regime militar, uma série de advogados, como Idibal Pivetta e Luiz Eduardo Greenhalgh, defendiam presos políticos. E conseguiam atuar.

Sampaio se mostrou preocupado com maneira como movimentos sociais vem sendo tratado.

— O modo como se tem tratado manifestantes e movimentos sociais, desde o ano passado no Rio tem extrapolado os limites da legalidade — afirma — E parece que o Estado se transformou em uma espécie de laboratório de interpretação legal, para que posteriormente se expanda esse tipo de tratamento para o resto do Brasil.

O jurista Luis Flávio Gomes afirma que o conteúdo das escutas não tem valor legal.

— Mesmo que tenha autorização judicial, esse grampo não vale nada. A prerrogativa profissional é algo já bem consolidado.

Ele afirma que, para que um advogado seja investigado como comparsa de um cliente, deve haver suspeitas fundadas.

Em nota, a Seccional da OAB no Rio de Janeiro afirmou que o sigilo telefônico entre advogados e clientes é inviolável pela Lei Federal 8.906. 

Siga R7 no Google e fique por dentro de tudo que acontece

Seguir no Google

Últimas

‌

Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.