Mesmo com ameaça de desconto no salário, rodoviários seguem de braços cruzados nesta quarta
Líder do movimento diz que vai se afastar após determinação judicial
Rio de Janeiro|Do R7

A paralisação dos motoristas e cobradores de ônibus do município do Rio vai continuar nesta quarta-feira (14). A categoria, que anunciou a greve de 48 horas na segunda-feira (12), se reuniu na terça-feira (13) e confirmou a continuidade da paralisação até as 23h59 desta quarta. De acordo com Hélio Alfredo Teodoro, líder do movimento dissidente, na quinta-feira (15), o grupo voltará a se reunir em assembleia para definir os rumos da paralisação.
A Rio Ônibus disse que os rodoviários que não voltarem ao trabalho nesta quarta poderão ter desconto no salário.
Até o início da noite de terça, mais de 150 ônibus haviam sido danificados. Apenas 18% da frota circulou no horário da volta para casa.
Na terça, o TRT-RJ determinou que ao menos 70% do efetivo do quadro de rodoviários da cidade voltasse ao serviço. A determinação foi assinada pela vice-presidente do TRT, desembargadora Maria das Graças Cabral Viegas Paranhos. O descumprimento da determinação pode gerar multa diária de R$ 50 mil contra o Sintraturb (Sindicato Municipal dos Trabalhadores Empregados em Empresas de Transporte Urbano de Passageiros). De acordo com a decisão, o transporte rodoviário de passageiros é essencial e o sindicato é o legítimo representante da categoria.
Em nota, a direção do Sintraturb disse que “foi pega de surpresa com a decisão do Tribunal Regional do Trabalho de imputar multa no valor de R$ 50 mil, caso a greve dos rodoviários continue”. O vice-presidente do sindicato, Sebastião José, disse que, como a paralisação é organizada pelo grupo dissidente de rodoviários, não pode ser imputada ao sindicato, já que o reajuste salarial da categoria foi debatido em assembleia e aprovado pela maioria.
O acordo firmado pelo sindicato dos motoristas e cobradores com a Rio Ônibus, que administra os ônibus no Rio, garantiu 10% de reajuste para a categoria e aumento no vale alimentação de R$ 120 para R$ 150, mas os dissidentes, que não são ligados ao sindicato,reivindicam 40% de reajuste salarial e vale alimentação de R$ 400 — além do fim do acúmulo das funções de motorista e cobrador.
O Tribunal da Justiça do Rio determinou que os líderes do movimento dissidente sejam impedidos de promover, participar ou incitar greve ou paralisação. Helio Alfredo Teodoro, Maura Lúcia Gonçalves, Luiz Cláudio da Rocha Silva e Luiz Fernando Mariano também não poderão praticar atos que impeçam ou ameacem o bom funcionamento do transporte público. A juíza Andréia Florêncio Berto fixou uma multa de R$ 10 mil por cada descumprimento exercido pelos dissidentes.
Helio Alfredo disse ao R7 que vai cumprir a determinação da Justiça e vai se afastar da liderança do movimento dissidente. Mas ele afirmou que os outros três líderes vão continuar no movimento.














