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PF denuncia máfia de combustível em bairro onde depósito pegou fogo em Duque de Caxias

Moradores usam quintais de casa para armazenar gasolina e álcool, segundo a polícia

Rio de Janeiro|Do R7

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As chamas alcançaram 40 m de altura; a região, segundo a PF, é infestada de depósitos irregulares de combustível
As chamas alcançaram 40 m de altura; a região, segundo a PF, é infestada de depósitos irregulares de combustível

O bairro Vila Maria Helena, em Duque de Caxias, é considerado pela Polícia Federal terreno de atuação maciça de uma máfia de adulteração de combustíveis. Foi ali que um incêndio de grandes proporções destruiu o depósito da empresa Petrogold e causou a morte de um funcionário na quinta-feira (23).

De acordo com o delegado Fábio Scliar, titular da Delegacia de Repressão a Crimes contra o Meio Ambiente e o Patrimônio Histórico, além da distribuidora atingida pelo fogo, pequenas fábricas ilegais de adulteração funcionam em galpões menores ou, até mesmo, em fundo de quintais.

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— Isso é muito sério. Tenho medo que aquela área toda pegue fogo. Porque ali funciona uma grande máfia. Cada canto tem gente adulterando combustível, até nos quintais de algumas casas.

A indústria de adulteração mistura algumas substâncias ao combustível original, entre elas álcool anidro e até mesmo amônia.

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— Eles compram o combustível puro, misturam, fazem render, e revendem. Lucram muito com isso.

Na quarta-feira, um dia antes do incêndio, seis homens foram presos em flagrante em Duque de Caxias suspeitos de adulterar gasolina em um depósito irregular.

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Depósito da Petrogold já foi lacrado pela Polícia Federal

A distribuidora de derivados de petróleo Petrogold foi lacrada em julho do ano passado pela Polícia Federal por operar sem licença do Inea (Instituto Estadual do Ambiente) e armazenamento irregular de combustíveis. Na ocasião, quando foram apreendidos 510 mil litros de combustível, o secretário do Meio Ambiente do Rio de Janeiro, Carlos Minc, disse que “o combustível estava sendo armazenado de qualquer forma, sem as devidas medidas de segurança”.

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Minc alertou, em julho passado, para o risco de danos ao meio ambiente e informou que dois caminhões com 27 mil litros de álcool anidro (cada um) foram encontrados vazando o fluído no terreno, podendo contaminar o solo e o lençol freático. A empresa foi autuada pelo crime de poluição e a responsável pelo local conduzida à delegacia para esclarecimentos. Outros dois galpões em Jardim Primavera (Caxias) também foram fechados.

A Polícia Federal informou que o inquérito apurou suspeita de crimes cometidos pela Petrogold de competência da esfera federal. Por isso, pediu ao Ministério Público Federal que o caso fosse repassado à Polícia Civil.

Licença do município garantia regularidade

De acordo com nota divulgada pela ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), a empresa funcionava de maneira legal graças a um alvará de funcionamento da Prefeitura de Duque de Caxias, contrariando a interdição sugerida pelo Inea. O certificado, que também era assinado pelo Corpo de Bombeiros, estava dentro do prazo de validade.

Ainda segundo a nota, a Petrogold foi fiscalizada pela ANP quatro vezes em 2013 e não foram encontradas irregularidades.

Após o incêndio, o prefeito de Duque de Caxias, Alexandre Cardoso, disse que a Petrogold não será mais permitida pela prefeitura de atuar no município.

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