Vereador do Rio é preso suspeito de participar de esquema de propina no IML de Campo Grande

Três pessoas foram presas; grupo cobrava propina para liberar corpos

Vereador também é médico e já chefiou o IML de Campo Grande; Ele foi preso nesta manhã (8)
Vereador também é médico e já chefiou o IML de Campo Grande; Ele foi preso nesta manhã (8) Reprodução/Câmera dos Vereadores

A Polícia Civil e o Ministério Público do Rio prenderam, na manhã desta terça-feira (8), o vereador Gilberto de Oliveira Lima (PMN). Ele e outros dois suspeitos foram denunciados pelo MP por um suposto esquema fraudulento no IML (Instituto Médico Legal) de Campo Grande, zona oeste da cidade. Segundo a denúncia, o grupo cobrava propina para agilizar a liberação dos corpos periciados às funerárias.

O vereador, que também é médico, já esteve a frente da chefia do IML de Campo Grande e, segundo as investigações, seria um dos responsável pela implantação do esquema criminoso. Além de Gilberto Lima, também foram presos o diretor geral do ICCE (Instituto Carlos Éboli), Sérgio William Silva Miana, e o chefe de Administração do PRPTC (Posto Regional de Polícia Técnica) de Campo Grande, Franklin Silva da Paz.

Os três foram denunciados, pelo MP, por associação para prática criminosa e concussão. Os agentes cumprem também dez mandatos de busca e apreensão na Câmara de Vereados do Rio e nas direções do ICCE e PRPTC de Campo Grande.

Como funcionava o esquema

De acordo com as investigações, o esquema funcionava há, pelo menos, três anos, envolvendo empresas funerárias e até hospitais públicos. Segundo a denúncia do MP, as funerárias eram autorizadas a trabalhar na preparação de corpos dentro do IML, para que eles fossem diretamente para o funeral. A prática é proibida por lei. A facilitação era recompensada com o pagamento de propina.

Ainda segundo a denúncia, para aumentar os lucros, os hospitais enviavam ao IML corpos de pessoas que tiveram morte natural, não violenta ou insuspeita e que, portanto, não precisariam passar pelo posto. Dessa forma, mantinham sempre a demanda alta. A fraude ficou popularmente conhecida como "máfia dos papa-defuntos".

Segundo o MP, faziam parte do esquema as funerárias Santa Madalena, Fonseca, Flor de Campo Grande, Itaguaí e Rio Pax, além dos hospitais Pedro II, Rocha Faria, Albert Schweitzer e Eduardo Rabelo.

As investigações indicam que até funcionários terceirizados, contratados originalmente para manutenção e limpeza do prédio, faziam, na verdade, o trabalho de auxiliares de necropsia. Eles ajudavam na lavagem, arrumação, preenchimento e maquiagem dos cadáveres para entregá-los preparados, dentro dos caixões.

Para o PM, os denunciados se aproveitaram de seus cargos e da estrutura do Posto Pericial para obter vantagens econômicas, empregando recursos, equipamentos, servidores e pessoal terceirizado em prejuízo dos cofres públicos, com a realização de "autopsias" desnecessárias.

Segundo informações do MP, os acusados vinham expandindo o esquema de arrecadação de propina para os demais PRPTC do Estado. O órgão também pediu o afastamento dos três denunciados de suas funções públicas.