Advogado que confessou ter matado namorada em Higienópolis está em clínica de reabilitação
Ida para unidade de tratamento foi autorizada pela Justiça, mas acusação contesta a decisão
São Paulo|Do R7, com Domingo Espetacular

O advogado Sérgio Brasil Gadelha, de 74 anos, que confessou ter matado a companheira, Hiromi Sato, de 57 anos, no apartamento em Higienópolis, região central de São Paulo, está em uma clínica de reabilitação em Salto de Pirapora, a 130 km da capital paulista.
Sérgio está fazendo tratamento para se livrar do alcoolismo e está em um quarto coletivo. A filha de 30 anos do advogado já declarou a polícia que o pai era alcoólatra desde antes do seu nascimento e que quando bebe, fica agressivo. Dentro do apartamento onde aconteceu o crime, a polícia encontrou uma garrafa de vinho e outra de conhaque. As duas estavam vazias.
A ida do acusado para a unidade de tratamento foi autorizada pela Justiça, mas a decisão é contestada. Segundo a promotora Solange Beretta, o advogado nunca procurou por tratamento durante a vida.
— Não há notícia alguma que esse homem em momento algum da sua vida tenha procurado tratamento, quer ambulatorial, quer em regime de internação. Estranhamente, agora, após cometer um crime bárbaro desse, ele busca tratamento.
Sérgio Gadelha não teve escolta ou vigia policial para seguir até a clínica. Antes de ir a unidade de tratamento, o acusado ainda ficou em um hotel na zona sul da cidade e também sem vigilância.
A família da vítima também não aceita o fato dele estar fora da prisão. O irmão de Hiromi, Tomi Sato afirma que isso não pode ficar impune.
— Se pudéssemos prever que ele era um cara violento, cruel, covarde, porque ele foi covarde, num corpo franzino como o dela, ser atacado como ele atacou, isso não pode ficar impune.
O advogado de Sérgio Gadelha, Atila Machado, afirmou que ele não tinha intenção de matar Hiromi.
— Em hipótese alguma. Ele até termina o depoimento [dado a polícia] relatando que a amava muito, que era uma relação de muito companheirismo entre os dois e que em nenhum momento teve a intenção de matá-la.
O crime
A secretária executiva Hiromi Sato, de 57 anos, foi morta pelo companheiro Sérgio Gadelha em abril deste ano no apartamento onde moravam, em Higienópolis, bairro nobre no centro de São Paulo. O corpo da vítima tinha diversos hematomas, nas pernas, costas, pescoço, boca. Também havia pedaços de cabelo espalhados pelo chão. Gadelha contou que discutiu com a mulher por ciúmes e passou a agredi-la. Após a vítima desacordar, ele ligou para a filha, que estava em Santa Catarina e avisou o que havia acontecido. Ela pegou um avião e voltou para São Paulo. Ao chegar, colocou o corpo na cama e chamou a polícia. Quando os policiais militares chegaram, encontraram o advogado calmo, com uma garrafa de bebida alcoólica, e estranharam a frieza dele.
Reconstituição
A reconstituição do crime deveria ter acontecido no último dia 21 de maio, porém foi suspensa a pedido da defesa que alegou que faltavam alguns laudos ao processo e, por isso, o procedimento não poderia ser feito.
Exumação
O corpo de Hiromi foi exumado a pedido do Ministério Público de São Paulo. De acordo com a promotora Solange Beretta, o laudo necroscópico mostrava muitas lacunas e apontava que a morte aconteceu em decorrência de “trauma encefálico e hemorragia interna aguda ao invés asfixia”.
— O próprio réu diz ter feito, o uso de asfixia. Mas o laudo não nos dava como causa da morte a asfixia da vítima e isso é extremamente importante, porque apesar de eu ter narrado na denúncia que ele utilizou de meio cruel para matar a vítima, o simples fato de ele ter causado a morte da vítima por asfixia, já caracteriza crueldade do meio empregado.
O laudo deve ficar pronto nos próximos dias.
Veja o vídeo abaixo:














