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Construtoras cercam Parque Augusta com tapumes e provocam revolta de ativistas

Grupo afirma que procedimento é ilegal, mas incorporadoras contestam

São Paulo|Do R7

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Área, de de 23,7 mil metros quadrados, fica entre as ruas Caio Prado, Marquês de Paranaguá e a Augusta
Área, de de 23,7 mil metros quadrados, fica entre as ruas Caio Prado, Marquês de Paranaguá e a Augusta

As construtoras Cyrela e Setin, proprietárias do terreno do Parque Augusta, no centro de São Paulo, começaram na quinta-feira (5) a furar a calçada para instalar tapumes ao redor da área, de 23,7 mil metros quadrados. Os defensores do parque afirmam que o procedimento é ilegal,porque as empresas ainda não têm alvará de construção dos prédios que devem ocupar parte do terreno. A aprovação do projeto — que prevê quatro torres e uma área verde para a construção de um parque público em 60% do espaço — só deve sair em seis meses. Já as construtoras afirmam que têm o documento que permite a colocação dos tapumes.

Na manhã de quinta-feira, (5), ativistas que querem que o terreno seja totalmente destinado ao parque público denunciaram nas redes sociais que a calçada nas ruas Augusta, Caio Prado e Marquês de Paranaguá estavam sendo perfuradas. O vereador Gilberto Natalini (PV), um dos defensores da causa, foi até o local para verificar.

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— Eu liguei para a Subprefeitura da Sé, que informou que a construtora tinha a autorização. Mas informei à construtora que, como não há alvará para início das obras, é ilegal instalar tapumes ao redor do terreno.

O presidente da Setin, Antônio Setin, explicou que as construtoras obtiveram a autorização com a prefeitura. O jornal O Estado de S. Paulo teve acesso a uma cópia do documento, emitido pela Secretaria de Coordenação de Subprefeituras e pela Secretaria de Licenciamento, e que concede um "alvará de autorização para avanço de tapume sobre parte do passeio público para execução de obra".

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Setin explicou que "essa propriedade contém um bosque tombado pelo patrimônio histórico e remanescentes do Colégio Des Oiseaux e, por serem bens tombados, eles são de guarda do proprietário do imóvel.

— Como proprietário, nós somos responsáveis por um eventual incêndio na mata, corte de árvore, pichação. Então estamos fazendo o tapume porque o muro que lá está é muito frágil e de vez em quando invasores quebram portões e invadem o terreno [...] Aliás, seria uma loucura nesse polêmico terreno fazer qualquer coisa que não fosse devidamente autorizado pelo poder público. Seria muita inocência da nossa parte imaginar que a gente pudesse fazer isso sem estar devidamente garantido.

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Natalini, no entanto, contestou o documento e a Subprefeitura da Sé, segundo o vereador, cancelou a validade do alvará no fim da tarde de quinta-feira. À noite, ativistas plantaram mudas nos buracos abertos por funcionários das construtoras.

Sem resposta

A Subprefeitura informou em nota, repassada pela Prefeitura, que o proprietário do terreno "terá de apresentar documentação que o habilite a construir tapume em volta do terreno", sem explicar se o alvará obtido por Cyrela e Setin foi expedido pela administração municipal. "Se o tapume estiver sendo construído do lado de fora da propriedade, sem autorização para isso, os proprietários serão multados e intimados a reparar os danos necessários", informou ainda a Prefeitura.

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