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Entidade cobra explicações do governo sobre ordem de batalhão para abordar jovens "pardos e negros"

Orientação foi dada a policiais militares que atuam em bairro de Campinas

São Paulo|Do R7

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Ordem de serviço foi dada no dia 21 de dezembro do ano passado
Ordem de serviço foi dada no dia 21 de dezembro do ano passado

A ONG Educafro, voltada para políticas de inclusão da população negra, encaminhou nesta quarta-feira (23) ofício ao governo do Estado, com críticas à ordem de serviço que orientou policiais militares do bairro Taquaral, em Campinas, a focarem a abordagem a “transeuntes e em veículos em atitude suspeita, especialmente indivíduos de cor parda e negra com idade aparentemente de 18 a 25 anos”.

O documento, do dia 21 de dezembro, fala sobre a intensificação do policiamento na área. Segundo o texto, os policiais deveriam ficar atentos a jovens com estas características, que estariam sempre “em grupo de 3 a 5 indivíduos, na prática de roubo a residência naquela localidade”.


No ofício, endereçado ao governador Geraldo Alckmin e ao secretário de Segurança Fernando Grella, Frei David Santos, diretor presidente da Educafro, afirmou que a “Ordem de Serviço nº 8 – BPMI – 822/20/12” leva a entender que “se os policiais cruzarem de carro ou a pé, com um grupo de 3 a 5 brancos entre 18 e 25 anos, não desconfiem deles. Se forem pardos ou negros, abordem-nos imediatamente”.

— Queremos que a Polícia se liberte da imagem do cidadão (ã) Negro (a) como sendo bandido (a). Quase 100% dos políticos processados e daqueles que aplicam grandes golpes financeiros contra a nação são indivíduos brancos. Para estes sim, a polícia deveria emitir alertas urgentes! Para nossa tristeza, neste caso são considerados inocentes até que se prove o contrário. A inversão de valores está no conceito de que são “autoridades” e não moram na periferia ou favelas.


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Frei David pontuou que a entidade entende que a orientação não é governamental, mas destaca que o Executivo estadual “pode combater com determinação e direito esta medida aplicada por este servidor policial, mal formado e não preparado para suas funções de comando”.


Por fim, com base na lei 12.527, a ONG pediu a Alckmin que apresentasse "dados étnicos das vítimas de abordagens policiais, registradas como 'resistência seguida de morte'"; o "perfil étnico das vítimas dos ataques do PCC e da Polícia do ano de 2006"; "dados estatísticos daquele batalhão de Campinas sobre abordagens (sem e com mortes), bem como, a percentagem de moradores negros e brancos da área desse batalhão" e "estatísticas de assassinatos de negros e brancos no estado de São Paulo nos últimos 12 meses".

O R7 entrou em contato com a assessoria de imprensa da Polícia Militar, mas até a publicação desta matéria, não teve retorno.

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