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Estiagem histórica: sede do governo paulista gasta mais água

Foi o maior consumo dos últimos 12 meses, 35% superior a janeiro de 2013 e custou R$ 51 mil

São Paulo|Do R7

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Apesar de governo oferecer desconto para quem economizar água, consumo no Palácio dos Bandeirantes subiu 22%
Apesar de governo oferecer desconto para quem economizar água, consumo no Palácio dos Bandeirantes subiu 22%

Em pleno mês que estourou a crise hídrica em São Paulo, o consumo de água do Palácio dos Bandeirantes subiu 22%. Dados oficiais mostram que a sede do governo paulista e residência oficial do governador Geraldo Alckmin (PSDB) gastou 160 mil litros a mais em janeiro deste ano do que em dezembro passado, totalizando 1,98 milhão de litros. Foi o maior consumo dos últimos 12 meses, 35% superior ao de janeiro de 2013, e custou R$ 51.755,00.

O palácio fica no bairro do Morumbi, zona sul da capital, e é abastecido pela Represa do Guarapiranga, que não passa por escassez de água como o Sistema Cantareira. Segundo o governo, o aumento ocorreu porque os consumos em janeiro e dezembro de 2013 foram "fora da curva", ou seja, abaixo da média. O resultado pode ser reflexo de um número maior de servidores em férias ou menos eventos do que o comum nesses dois meses.

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Foi em janeiro que a Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) veiculou um comunicado público alertando para o baixo nível de água do manancial que abastece 47% da Grande São Paulo. O alerta foi feito com base nos dados de dezembro, que já indicavam o pior volume de chuva dos últimos 84 anos e a necessidade de redução do consumo. À época, o Cantareira estava com 24% da capacidade, menor índice dos últimos dez anos.

Desconto na conta de água será para região metropolitana

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População de SP teve que racionar água pelo menos três vezes nos últimos 15 anos

Para amenizar a crise e tentar evitar um possível racionamento na região metropolitana, a Sabesp anunciou três dias depois, em 1.º de fevereiro, um plano de bônus que previa desconto de 30% na fatura para quem reduzisse o consumo em ao menos 20%. Até março, essa medida valeu apenas para os cerca de 8,8 milhões de clientes da Sabesp atendidos pelo Cantareira. Se o Palácio dos Bandeirantes estivesse nesta lista, não teria cumprido a meta: o consumo de água em fevereiro foi 1,4% menor do que a média registrada nos 12 meses anteriores.

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A fatura mostra que, entre 6 de fevereiro e 8 de março, o palácio consumiu 1,80 milhão de litros de água, 9,3% a menos do que em janeiro. Apesar da redução, o total ficou só 26 mil litros abaixo da média de 12 meses que serve de cálculo para a concessão do desconto. Para atingir a meta, o governo deveria ter reduzido o consumo em 365 mil litros. A partir deste mês, Alckmin ampliou o bônus para os 17 milhões de clientes atendidos pelos seis sistemas, incluindo o Guarapiranga, que abastece a região onde fica o palácio.

Redução permanente

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Segundo o governo, desde 2010, o "Palácio dos Bandeirantes vem reduzindo fortemente seu consumo de água, com queda de 15,4% de 2011 em comparação a 2010, 3,2% de 2012 em comparação a 2011, e 5,3% de 2013 em comparação com 2012". A principal medida, segundo o governo, foi a implantação, em 2001, do Pura (Programa de Uso Racional da Água), que tem por objetivo o combate ao desperdício. "Desde então, a redução no consumo de água chegou a 60,3%", diz a administração.

O governo destacou ainda que o consumo per capita do palácio "está abaixo do indicado para prédios públicos, que é de 50 litros por dia por funcionário", segundo um decreto estadual de 2003. "A média de utilização é de 32 litros por dia por funcionário", informa.

Outros órgãos

Quem também não atingiu a meta de redução de consumo em fevereiro foi a Assembleia Legislativa de São Paulo, que é abastecida pelo Cantareira. Segundo a Casa, a economia foi de 11,4% na comparação com a média de 12 meses, chegando a 3,54 milhões de litros, como explica o diretor de Serviços Gerais, Felipe Carraro de Araújo.

— Nós já estávamos fazendo uma economia forte nos últimos anos, com troca de vasos sanitários e torneiras. Reduzimos 21,4% no ano passado.

Já a Sabesp, responsável pelo abastecimento direto de 31 cidades da Grande São Paulo, informou que reduziu o consumo de água em 23% na sede da companhia, em Pinheiros, na zona oeste da capital, no primeiro mês do bônus. Foram gastos 1,56 milhão de litros. A região era atendida pelo Cantareira, mas passou a receber água do Guarapiranga neste ano. O Estado também questionou o consumo do Tribunal de Justiça de São Paulo no mesmo período, mas não obteve resposta.

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