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Falta de segurança é entrave para projeto de incentivo cultural no centro de SP

Especialistas destacam necessidade de melhorias urbanísticas para região atrair investimentos 

São Paulo|Fernando Mellis, do R7

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Segundo Associação Comercial de São Paulo, falta de segurança e abandono em áreas do centro desestimulam empresários
Segundo Associação Comercial de São Paulo, falta de segurança e abandono em áreas do centro desestimulam empresários

O novo Plano Diretor de São Paulo prevê estímulos a iniciativas nas áreas de cultura, educação e preservação ambiental na região entre a avenida Paulista e a Luz. O objetivo é usar os equipamentos já disponíveis, como museus, teatros e casas de espetáculo para atrair investimentos privados.

Especialistas ouvidos pelo R7 destacam, no entanto, as dificuldade que o município deve enfrentar para implementar as medidas na região. Um dos problemas mencionados foi a falta de segurança pública em áreas como a Cracolândia e o Parque Dom Pedro 2º.


O eixo cultural Paulista-Luz mapeado no Plano Diretor tem locais contrastantes. Enquanto quem sai de teatros na região da rua Augusta encontra restaurantes, bares e shoppings, os visitantes de museus na Sé, por exemplo, não têm essas opções.

Localizado em um prédio histórico no Parque Dom Pedro 2º, o Museu Catavento, destinado à ciência, está praticamente isolado em meio a avenidas e ruas escuras onde há concentração de usuários de drogas e o índice de roubos é alto. Na Luz, que abriga importantes museus, como a Pinacoteca do Estado, a situação é parecida. Poucos visitantes arriscam caminhar pela rua depois que escurece.


A prefeitura informou que melhorias urbanísticas no Parque Dom Pedro 2º estão entre as metas da atual gestão. Uma das medidas anunciadas é a entrega de uma área municipal entre as avenidas do Estado e Mercúrio para a implantação de uma unidade do Sesc (Serviço Social do Comércio). 

O diretor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Valter Caldana, ressalta que o Plano Diretor deve “convidar” investimentos que promovam uma concentração de pessoas em locais onde hoje existem apenas os espaços culturais.


— Na região da Luz falta um projeto urbanístico de articulação entre os equipamentos. Ou seja, você se sente muito bem dentro dos equipamentos, mas você não se sente acolhido pela cidade onde eles se situam. Além das grandes âncoras [os espaços culturais], tem que ter as atividades complementares: comércio e serviços. Isso que gera a possibilidade, inclusive, do resgate do território pelo cidadão.

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O coordenador-geral do Conselho de Política Urbana da Associação Comecial de São Paulo, Antonio Carlos Pella, afirma que a iniciativa privada “tem amplo interesse em fazer investimentos em todas as partes”. Porém, ele critica a falta de uma política pública que envolva segurança e zeladoria.

— O incentivador tem que ser o poder público. Já existiram vários planos para a região, mas me parece que toda vez que se estabelece um plano novo, seja em qualquer governo, fica muito difícil de combater isso. Então, a iniciativa privada, naturalmente se retrai.

Pella afirmou que tem se encontrado com representantes de outras entidades e que os empresários cobram a prefeitura para que crie novos polos de negócios no centro.

— É uma área onde você poderia ter um turismo grande, uma visitação ainda maior do que se tem hoje. Mas, infelizmente, não é agradável caminhar por alguns lugares do centro, seja pela má conservação de praças, jardins e calçadas ou pela falta de segurança.

Dois importantes projetos de revitalização (Luz e Parque Dom Pedro 2º) não saíram do papel. O Complexo Cultural Luz, na Cracolândia, já custou mais de R$ 50 milhões aos cofres estaduais e nem começou a ser construído. Essa é uma tentativa do governo de valorizar o bairro. Mas segundo Caldana, o empreendimento sozinho não seria suficiente para levar visitantes à região e afastar os usuários de drogas.

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