São Paulo

16/8/2013 às 00h15

Irmão de MC Daleste critica polícia e fala sobre a ‘missão’ de assumir legado

Rodrigo Pellegrine ainda tem esperanças de que o assassino do irmão será encontrado

Thiago de Araújo, do R7

O funkeiro Daniel Pellegrine, conhecido como MC Daleste, foi morto há exatos 41 dias e ainda não se sabe quem foi o autor do tiro que matou o cantor durante um show, na madrugada do dia 7 de julho, em Campinas, no interior de São Paulo. A cada dia que passa, a família de Daleste fica mais cética quanto ao desfecho do caso, enquanto enfrenta dificuldades, tanto emocionais quanto financeiras.

Entretanto, para Rodrigo Pellegrine, irmão de Daleste, não é possível apenas lamentar. “Levando com a barriga”, como ele mesmo resume, o MC Pet, como ele é conhecido no mundo do funk, luta para assumir o legado deixado pelo irmão Daniel. Seguindo uma agenda “tumultuada” de shows, ele descreveu, em entrevista ao R7, como se sente em relação ao caso da morte de Daleste.

Rodrigo Pellegrine afirmou ainda acreditar que o assassinato do irmão será elucidado, mas não deixou de fazer críticas a como os trabalhos da polícia de Campinas, conduzidos pelo delegado Rui Pegolo, foram e estão sendo conduzidos até o momento. Um dos pontos que mais gerou discórdia para a família do funkeiro morto foi a linha de investigação que trabalhava com a hipótese de Daleste ter se envolvido com mulheres.

— O delegado falou isso aí, não sei se por ser inexperiente ou da cabeça dele, porque essa hipótese era descartada. Falei a ele desde o começo pra ele ir na linha de investigação certa, inclusive agora há pouco tempo ele descartou a hipótese de ser um crime passional, falando que não tinha nada a ver e que era outra coisa. Ele perdeu muito tempo investigando isso, sendo que a gente já sabia que não era isso, que não tinha nada a ver porque ele não teve envolvimento com ninguém.

"Nunca fez nada de mau a ninguém", diz pai de funkeiro morto durante show

Fãs de MC Daleste fazem protesto e cobram justiça

Pegolo pediu no começo deste mês a prorrogação das investigações para conclusão do inquérito por mais 30 dias. De acordo com a família de Daleste e a advogada Patrícia Vega, que acompanha o caso a pedido dos parentes do funkeiro, caso o prazo expire e o culpado pelo crime não seja localizado, a expectativa é trazer o caso para ser investigado pelo DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa).

— Mas é questão de tempo. Se eles não forem ao assassino certo a gente vai mudar, vamos falar com o pessoal do DHPP aqui em São Paulo e vamos ver o que faz, vamos pra cima, não vai ficar barato. Se eu fosse policial eu iria resolver esse crime de qualquer jeito.  Não que não estejam empenhados, mas de um empenho mais correto. Eles estão mirando, mas nem sempre no lugar certo. Às vezes eles deixam passar muita coisa batida. Mas é isso, uma hora eles acham o fio da meada e andam com tudo isso.

Responsabilidade aumentou, diz MC Pet

Ao lado de Daleste, MC Pet já era conhecido na cena do funk paulista e brasileiro. Com os dois realizando shows, a família passou a viver com mais tranquilidade e a ajudar outros parentes. O ciclo de sucesso foi interrompido pelo assassinato do irmão mais famoso, o que deixou sobre as costas de Rodrigo a responsabilidade de manter o legado da família Pellegrine dentro e fora da música.

— Antes era mais fácil. Era eu e o meu irmão e ficava mais tranquilo cuidar da família, porque meu pai já é um senhor de idade, tenho os meus sobrinhos, a gente dava emprego pro meu cunhado, dávamos emprego pra mais quatro famílias de produtores. Era muita responsabilidade nas costas da gente. Agora que ele se foi, com certeza sobrecarregou um pouco, mas não vou parar não, estou aí pro que der e vier. O que eu puder fazer por todo mundo eu farei do mesmo jeito.

A dificuldade financeira já havia sido abordada anteriormente pela advogada da família, Patrícia Vega. É ela quem está cuidado do processo de partilha daquilo que Daleste conseguiu constituir em tão pouco tempo de carreira.

— Eles estão tentando tocar a vida deles, mas as coisas também estão difíceis. Ele era uma “empresa”, e agora não tem mais essa empresa, até porque todo mundo vivia disso.

MC Pet completa:

— Sobrecarregou porque os shows a gente dividia um pouco. Por exemplo, um dia eu estava em Aparecida do Norte e ele estava em Porto Alegre, agora todo mundo está ligando ao mesmo tempo e querendo show do MC Pet. O que acontece é que ele fazia uma coisa e eu fazia outra, dava mais dinheiro para todo mundo. Eu sozinho não tenho como fazer isso. Tenho a minha mulher, minha filha, meus outros irmãos, meu pai, um monte de gente que depende de mim para estar mantendo essa família aí. Teve que cortar um monte de coisa, não tem jeito.

Enquanto promete manter o trabalho no mundo do funk e honrar o legado do irmão, MC Pet anseia por Justiça. O quanto antes, se possível.

— É um alívio pra todo mundo, não só pra gente que é da família, mas até pros fãs. Ele era muito amado, nos shows não tinha espaço pra caber mais gente. Era um moleque muito querido, acho que o Brasil todo está esperando um desfecho pra esse crime, pra poder saber quem foi, pra colocar a cara do cara na tela, mostrar pra todo mundo e falar o que aconteceu.

Caso sem novidades

De acordo com a família de Daleste, nenhuma novidade do caso foi repassada à família nos últimos dias. Patrícia Vega promete ir a Campinas nesta sexta-feira (16) para averiguar junto à polícia se surgiu algum fato novo nas investigações. Já Rodrigo revelou que recebeu a promessa do delegado do caso de que até segunda-feira (21) uma satisfação seria dada aos familiares. O prazo para conclusão do inquérito termina no início de setembro.

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