"Não temos nenhuma previsão de implantar rodízio em 2015", diz presidente da Sabesp
Jerson Kelman compareceu à CPI da Câmara de São Paulo nesta quarta-feira
São Paulo|Do R7

O presidente da Sabesp, Jerson Kelman, afirmou nesta quarta-feira (13) durante CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) instalada na Câmara Municipal de São Paulo, que a companhia não trabalha com a previsão de que será necessária a adoção de um rodízio de água ao longo de 2015. Segundo o executivo, a situação de abastecimento de água em São Paulo tem sido melhor gerenciada a partir da capacidade de diminuição da retirada de água do sistema Cantareira, fruto da interligação com outros sistemas.
— Não temos nenhuma previsão de implantar rodízio em 2015 porque, diferente do que acontecia um ano atrás, hoje temos condição de diminuir a retirada de água do Cantareira e fazer com que outros sistemas produtores possam abastecer a região que antes era apenas atendida pelo Cantareira.
Kelman salientou que o volume de água retirada do Cantareira já é menor neste momento, e essa estratégia deve ajudar a empresa a "atravessar" o período seco, entre abril e setembro, "sem perder o controle".
— Não teremos rodízio. A situação é que nem as nuvens, sempre mudam, mas não temos nenhuma previsão de que seja necessário fazer um rodízio.
"Hoje temos condição de diminuir a retirada de água do Cantareira
Para garantir uma situação administrável diante do baixo volume de água do Cantareira, Kelman destacou que a companhia tem observado a expectativa de chuvas e o andamento de obras que garantam a interligação de novos sistemas ao Cantareira.
— Embora não enxerguemos no horizonte a necessidade de racionamento, temos que estar preparados para o pior. A cada momento estamos fazendo novas simulações e também dependemos do reforço que outros sistemas terão de água. São obras simples e não há porque esperar atraso. Não vejo nenhuma ameaça no horizonte que nos impeça de achar que a previsão de não rodízio seja verdadeira.
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Dividendos a acionistas
O presidente da Sabesp falou também sobre as acusações de que a companhia não deveria distribuir dividendos para acionistas no atual momento, diante das restrições de oferta de água e da necessidade de novos investimentos. O executive rechaçou tais acusações. Segundo Kelman, a distribuição da companhia ficou restrita ao limite mínimo de 25% do lucro previsto pela lei das S/As. O presidente da CPI da Sabesp instalada na Câmara Municipal de São Paulo, vereador Laércio Benko (BHS), discordou e defendeu que a empresa adotasse, nesse momento, uma provisão para obras consideradas emergenciais. Kelman defendeu a companhia.
— A Sabesp não tem distribuído dividendo a não ser o mínimo exigido legal, ou seja, 25% de lucro para os acionistas. Essa é uma legislação brasileira. Cometeríamos crime se não seguíssemos a lei brasileira, e a lei brasileira determina a distribuição de no mínimo um quarto do lucro.
O executivo ainda destacou que metade do lucro distribuído é encaminhado ao governo de São Paulo, principal acionista da empresa, e por isso também é um recurso voltado ao interesse público.
— Há opção de que o poder público preste diretamente o serviço de saneamento.
Outra possibilidade seria o serviço ser prestado por uma empresa privada.
— Mas não acho que a natureza da empresa, se tem capital privado ou não, que determina se é prestado um bom serviço à população.
Na sequência, o executivo confirmou que a companhia não tem condições de fazer, em 2015, todos os investimentos que seriam considerados necessários. Os desembolsos da companhia devem somar R$ 3,2 bilhões neste ano, montante 26% inferior ao investido em 2014.
Já o presidente da CPI da Sabesp na Câmara de São Paulo, vereador Laércio Benko (PHS), defendeu que o montante distribuído via dividendo "faz falta" à companhia.
— Distribuir um centavo de lucro é um tapa na cara do cidadão paulistano.
Segundo Benko, a companhia precisa fazer um ajuste contábil de provisão para obras. Na prática, essa medida poderia reverter o lucro anual em prejuízo.
— Não é feio a Sabesp ficar no vermelho. É ruim não ter água em casa. O acionista que espere porque precisamos ter dinheiro em caixa para investir. Enquanto [a Sabesp] não tomar medidas necessárias, não pode gerar lucro.










