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Operários já temiam acidente em obra que desabou na zona leste de SP

Construção ruiu na manhã de terça-feira, matando oito trabalhadores

São Paulo|Do R7, com Jornal da Record, Agência Record e Estadão Conteúdo

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Bombeiros haviam retirado cinco dos sete mortos até as 18h; buscas tiveram que ser feitas com cuidado devido ao risco de novos desabamentos
Bombeiros haviam retirado cinco dos sete mortos até as 18h; buscas tiveram que ser feitas com cuidado devido ao risco de novos desabamentos
Laje que desabou tinha 400 m²
Laje que desabou tinha 400 m²

O medo de um colapso na estrutura de uma obra, na avenida Mateo Bei, em São Mateus, zona leste de São Paulo, já existia entre os trabalhadores daquele local. Na manhã desta terça-feira (27), o temor dos operários se tornou realidade. O segurança Josinaldo dos Santos contou que o irmão dele, Silvio Rogério Rodrigues, que trabalhava no local e se feriu, havia relatado algo errado na construção.

— Ele costumava comentar que a laje estava malfeita.


Foi justamente a laje, de 400 m², que cedeu. O prédio de dois andares foi abaixo por volta das 8h30, matando oito operários e deixando ao menos 25 feridos, de acordo com o Corpo de Bombeiros. As buscas continuaram durante a noite.

Eva Vitorino, mulher de Rubens Moreno Feitosa, disse que o marido e dois sobrinhos trabalhavam na obra há cerca de cinco meses. Segundo ela, Feitosa afirmou que um dos sobrinhos morreu ao seu lado. Um homem, que não se identificou, ouviu relato de funcionários da construção.


— Eles [operários] estavam achando que podia desabar mesmo isso aí.

De acordo com a prefeitura, a obra estava irregular, sem o alvará. A construção será embargada. Quatro imóveis residenciais e dois comerciais precisaram ser interditados nas proximidades do desabamento. A Defesa Civil informou durante a tarde que três famílias deixaram suas casas.


Investigação policial

Segundo Edilson Carlos dos Santos, advogado que representa Mostafa Abdallah Mustafa, um dos donos do terreno, o imóvel foi alugado ao Magazine Torra Torra. A loja de departamentos contratou a Salvatta Engenharia, que estaria realizando obras no local, de acordo com ele.


O Magazine Torra Torra disse que contratou a empreiteira somente para uma avaliação do prédio. A Salvatta afirmou não ter feito nenhuma modificação estrutural e também disse que não era a responsável pela obra.

O caso é investigado pelo 49º Distrito Policial (São Mateus). Na tarde de terça-feira a polícia ouviu três pedreiros, que tiveram apenas escoriações. Reginaldo Caetano, coordenador da parte elétrica de uma das empresas envolvidas, também foi ouvido. Ele tinha saído minutos antes do desabamento. O teor dos depoimentos não foi revelado. A polícia deverá fazer novas intimações a partir desta quarta-feira (28), data em que não haverá depoimentos, de acordo com o delegado Guilherme Leonel.

A Secretaria Municipal da Saúde informou que o Samu socorreu 17 pessoas no desabamento. Todas tinham “ferimentos leves, escoriações e casos de média complexidade”.

Dos feridos atendidos pelo Samu, dois foram encaminhados ao Hospital Geral de Sapopemba, dois ao Hospital Municipal de Cidade Tiradentes, quatro ao Hospital Santa Marcelina de Itaquera, um ao Hospital Geral de São Mateus e três ao Hospital Municipal Dr. Carmino Caricchio (Tatuapé). Os demais foram atendidos no local. Os removidos ao HM Tatuapé tiveram alta na tarde de terça-feira. Outros dois permaneciam em observação no HM Cidade Tiradentes.

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