PMs que participaram da morte de carroceiro são afastados
Ouvidoria da Polícia diz que o cabo José Marques Madalhano é responsável pelo crime
São Paulo|Stéphanie Nascimento, da Agência Record

A Secretaria de Segurança Pública afastou os policiais militares envolvidos na ação que matou o carroceiro Ricardo Silva Nascimento, de 39 anos, no início da noite de quarta-feira (12), em Pinheiros, zona oeste de São Paulo.
De acordo com Julio Cesar Fernandes Neves, ouvidor de Polícia do Estado de São Paulo, o responsável pela morte de Ricardo é o policial militar José Marques Madalhano, de 23 anos. O carroceiro, bastante conhecido na região de Pinheiros, segundo o ouvidor, não tinha problemas mentais, era trabalhador, mas tinha muito medo da Polícia Militar.
Durante a ação, uma testemunha filmou a ação dos PMs que resultou na morte de Ricardo. Quando os militares descobriram a gravação, eles arrancaram à força o celular e apagaram o vídeo. A atitude dos policiais foi tão agressiva que o dedo da testemunha foi rasgado e ele teve que passar por uma cirurgia. Essa testemunha será ouvida pelo ouvidor nesta tarde.
A Ouvidoria também já pediu a intervenção do Ministério Público no caso para que o policial responda por homícidio. Até o momento, o MP ainda não entrou no caso, e o policial não respondia por nenhum crime até a matar Ricardo. O boletim de ocorrência do caso foi registrado como homicídio simples — morte decorrente de oposição à intervenção policial, o que é questionado pela Ouvidoria.
Movimento convoca protesto em rua onde carroceiro foi morto por PM
Outro ponto que o ouvidor ressalta é sobre a manipulação no local do crime. De acordo a Resolução 5 da Secretaria de Segurança Pública de 2013 (veja na íntegra), a Polícia não pode socorrer e nem manipular o local dos fatos. E nada disso foi respeitado no crime do início da noite de ontem. O corpo de Ricardo está no IML Central, onde passa por exames.
Questionada sobre o ocorrido, a Secretaria de Segurança Pública enviou a sequinte nota:
"A SSP informa que tanto os dois policiais que se envolveram na ocorrência quanto a guarnição de Força Tática que prestou apoio foram recolhidos ao serviço administrativo, sendo afastados do trabalho nas ruas.
O 23º BPM/M instaurou inquérito policial militar para investigar todas as circunstâncias do fato, acompanhado pela Corregedoria. O DHPP instaurou inquérito, ouviu testemunhas e encaminhou a arma do PM envolvido na ocorrência para perícia.
A polícia irá analisar imagens de câmeras da segurança da região. O corpo de Ricardo Silva Nascimento, de 39 anos, foi necropsiado no IML central e liberado".













