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Sabesp vai reduzir ainda mais pressão de água em SP; zona norte deve sofrer mais

Medida busca reduzir perda de água devido a vazamentos em tubulações antigas

São Paulo|Mariana Queen, do R7

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Moradores de bairros da região norte sofreram mais com a seca
Moradores de bairros da região norte sofreram mais com a seca

Em decorrência do agravamento da crise hídrica neste ano, a Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) anunciou o aumento dos intervalos em que a pressão da água na região metropolitana de São Paulo é reduzida — só recentemente o órgão admitiu aplicar a medida em toda a cidade. O anúncio foi feito pelo presidente do órgão, Jerson Kelman, durante coletiva de imprensa concedida na tarde desta quarta-feira (14) em São Paulo.

Segundo representantes da Sabesp, os bairros da região Norte serão os mais afetados devido à proximidade das represas. A atual redução de pressão faz com que, desde dezembro de 2014, 15 metros cúbicos de água sejam transferidos por segundo para a região metropolitana. A meta é que, a partir da expansão da diminuição da pressão, essa vazão diminua para 13 metros cúbicos por segundo.


Além disso, o órgão afirmou que 80% da população do Estado aderiu ao bônus concedido para aqueles que poupam água, o que representou economia 5 metros cúbicos de água por segundo — cada metro cúbico economizado abastece 300 mil habitantes.

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Escassez hídrica

Apesar de assumir que o Estado vive uma “situação de escassez hídrica”, Kalman afirma que a diminuição da vazão de água não é sinônimo de racionamento.


—Tecnicamente, se chama de racionamento quando se impõem o não consumo [de água] a toda a população em um certo intervalo. Isso é racionamento. Não temos isso. A maior parte da população está colaborando e está passando por uma situação de menor consumo, mas sem a imposição de não ter água.

Segundo o presidente, este é um momento em que a população terá de arcar com os ônus de “um problema que é da sociedade e não só da Sabesp”. Entretanto, a medida também responde a tentativas do Estado de reduzir a perda de água devido a vazamentos em tubulações antigas.


— Até agora foi destinado muito pouco sacrifício para a população. O esforço [da Sabesp] foi diminuir vazamentos de água no solo devido a tubulações antigas do Estado. E como se diminui o vazamento? Diminuindo a pressão.

O órgão afirma que a troca de tubulações se dá aos poucos em todo o Estado. Além disso, esclarece que a alternativa à redução de pressão da água é feita desde 1997 e garantiu a instalação de mais de 1500 válvulas de contenção de pressão nos bairros de São Paulo.

Falta e qualidade da água

Também presente na coletiva, Paulo Massato, diretor metropolitano da Sabesp, disse que bairros localizados em regiões altas e mais distantes das represas podem sofrer com a redução de pressão.

— A princípio, estamos tendo pressão suficiente para encher as caixas de água. Agora, com esse aumento de temperatura, o consumo aumenta muito e aí provoca um desequilíbrio nos setores de abastecimento. Quem mora em zona baixa aumenta o consumo faz aumentar a dificuldade de chegar água em pontos mais altos.

Ele diz que não será não haverá rodízio para a redução da pressão. Além disso, áreas em que estiverem localizados hospitais e em que houver maior número de reclamações quanto à falta de água serão mais poupadas.

Kelman também comentou esse aspecto.

— Não podemos dizer em que horas haverá redução, porque isso depende de quanto os consumidores estão usando [água].

Questionado pelo R7 sobre a cor escura da água que tem saído das torneiras de algumas regiões da capital paulista, Kelman relatou não estar a par do tema.

Massato respondeu que a coloração da água se deve ao ferro e oriundo da corrosão da tubulações antigas.

— Normalmente, são problemas localizados. Então, a substituição de um trecho de rede resolve essa questão da qualidade da água. Mas do ponto de vista sanitário, não há bactérias ou coliformes fecais; não faz mal à saúde.

Ações futuras

Kelman também anunciou que pretende viabilizar a transferência de água das represas Bealings e Gurapiranga para o Sistema Cantareira. Também pontuou como alternativa para a superação da crise a utilização de água de reuso e a punição daqueles que consomem água de maneira clandestina.

— Quem frauda o consumo de água apresenta falta de cidadania e esse tipo de pessoa não está preocupada em gastar menos porque não paga. Vamos estudar com a Secretaria de Segurança de que forma poderemos aumentar a repressão a esses consumidores.

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