Sandro Dota matou Bianca Consoli porque nunca foi correspondido, diz delegada

Gisele Lelo afirmou ainda que álibis do acusado no dia do crime não foram confirmados

Bianca Consoli foi morta
Bianca Consoli foi morta Reprodução/Facebook

A delegada Gisele Priscila Capello Lelo afirmou, durante o julgamento de Sandro Dota, que o crime foi motivado pelo interesse sexual não correspondido que o acusado tinha por Bianca Consoli, morta dentro de casa em 2011. Ela afirmou que chegou à conclusão com base nos depoimentos de testemunhas que ouviu durante as investigações.

— Ele tinha interesse na Bianca. Ela nunca retribuiu.  

A delegada, que participou do início das investigações, afirmou ainda que Dota passou alguns álibis para o dia do crime. Segundo ela, policiais checaram todos, porém, nenhum foi confirmado.

— Ou ele esteve [nos locais] em horário diverso do que disse ou nem esteve.

Antes, Gisele destacou ter certeza de que Dota foi o autor do crime e que o indiciaria mesmo sem o DNA. Ela disse ainda que testemunhas contaram que o motoboy tinha comportamento agressivo e que era mulherengo.

Primeiro depoimento

A mãe de Bianca Consoli, Marta Consoli, foi primeira testemunha a ser ouvida no júri do caso Bianca, que teve início nesta terça-feira (23). Segundo Marta, o filho de Daiane Consoli — irmã da vítima e com quem Sandro era casado na época do crime — contou à família que o motoboy o sufocava com um travesseiro de "brincadeira". Além disso, ela contou que Sandro dava banho no menino — hoje, a criança está com 12 anos.

Em seu depoimento, a mãe de Bianca contou que Dota forçava os enteados a chamá-lo de pai e que passou a acreditar 100% que o acusado era culpado do crime, quando a calça do motoboy passou por perícia. Marta afirmou ainda que, depois do crime, soube que Dota assediava várias mulheres no bairro, além de sua filha Bianca.

O crime

O corpo da universitária Bianca Consoli, 19 anos, foi achado pela mãe dela, caído próximo à porta de saída de casa, na zona leste de São Paulo, no dia 13 de setembro de 2011. Segundo a polícia, a jovem foi atacada quando havia acabado de tomar banho e se preparava para ir à academia.

Na cama, os investigadores encontraram a toalha usada pela jovem, ainda molhada. A garota teria reagido à presença do criminoso e começado uma luta escada abaixo. Foram localizadas mechas de cabelo pelos degraus.

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Dentro da garganta da jovem, a polícia encontrou uma sacola plástica, usada pelo autor para asfixiar a estudante.

As investigações apontaram o motoboy Sandro Dota, cunhado da vítima, como o suposto autor do crime. Ele está preso desde o dia 12 de dezembro de 2011.  

O motoboy nega as acusações e se diz inocente. Em julho do ano passado, ele foi para o Complexo Penitenciário de Tremembé, a 147 km de São Paulo. Dota alegou ter sofrido ameaças de morte no Centro de Detenção Provisória 3 de Pinheiros, na zona oeste da capital paulista, onde estava. Por este motivo, a Justiça teria determinado sua transferência.  

Em agosto do ano passado, a acusação de estupro foi incluída no processo contra Sandro Dota. A defesa do réu, entretanto, nega o crime e diz que o laudo do legista é inconclusivo. Para a polícia, o crime teve motivação sexual.