Seis PMs filmados durante execuções de jovens no Butantã serão julgados neste mês
Uma das vítimas foi presa e algemada antes de ser baleada no chão, rendido e sem resistir. O outro rapaz foi jogado de um telhado antes de ser atingido por quatro tiros
São Paulo|André Caramante, da TV Record
Os policiais militares Tyson Oliveira Bastiane, Silvano Clayton dos Reis e Silvio André Conceição, réus no processo no qual são acusados de executar Paulo Henrique Porto de Oliveira, 18 anos, após o jovem ter se rendido e algemado pelo trio, serão julgados pelo 5º Tribunal do Júri no dia 13 deste mês. O julgamento dos militares está marcado para começar às 10h, no Fórum Criminal da Barra Funda.
Imagens de câmeras de segurança da rua onde os PMs executaram Paulo Henrique, no bairro do Butantã (zona oeste de São Paulo) gravaram o crime e são as principais provas contra o trio de militares, que alegaram uma “resistência à prisão” por parte da vítima para tentar encobrir a farsa montada por eles para a execução a tiros.

De acordo com a investigação do DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa), da Polícia Civil, os policiais militares Bastiane e Reis atiraram contra Paulo Henrique quando ele estava sentado no chão, desarmado e sem oferecer qualquer resistência.
O PM Conceição, terceiro réu a ser julgado no dia 13 deste mês, foi quem algemou Paulo Henrique e depois o soltou, conforme imagens das câmeras de segurança, para que Bastiane e Reis atirassem contra ele.
Jogado do telhado
Duas semanas após o julgamento dos militares Bastiane, Reis e Conceição pela morte de Paulo Henrique, no dia 27 deste mês de março, será a vez do 5º Tribunal do Júri julgar os PMs Flávio Lapiana de Lima, Fábio Gambale da Silva e Samuel Paes.
Os três militares são réus pela morte de Fernando Henrique da Silva, 23 anos, amigo de Paulo Henrique e, assim como ele, também fugia dos policiais naquela tarde de 7 de setembro de 2015.
Os PMs Lapiana e Gambale, ambos da 4ª Companhia do 16º Batalhão da PM, atiraram quatro vezes contra Fernando Henrique depois de ele ter sido jogado do telhado de uma casa por Samuel Paes, PM da Rocam (Rondas Ostensivas com Apoio de Motocicletas).

Imagens gravados pelo morador de algum prédio que tinha vista para o telhado da casa comprovaram o crime dos três PMs.
Em seu interrogatório, o PM Paes disse que resolveu entregar Fernando Henrique para os PMs que estavam no quintal da casa (Lapiana e Gambale) porque não tinha como descer com ele em segurança do telhado.
O PM Paes também disse ter ficado com receio de que Fernando Henrique tentasse o agarrar e ambos caíssem do telhado, que tinha 2,54 metros de altura, segundo o IC (Instituto de Criminalística).
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