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Tornozeleiras deveriam ser usadas para amenizar superlotação, dizem especialistas

Estado não tem equipamentos para ser usados como alternativa à prisão preventiva

São Paulo|Alvaro Magalhães e Ana Cláudia Barros, do R7

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As tornozeleiras eletrônicas poderiam ser mais utilizadas no Estado de São Paulo para desafogar o sistema prisional, afirmam especialistas.

Levantamento exclusivo feito pelo R7 a partir de dados da SAP (Secretaria de Estado da Administração Penitenciária) dos últimos quatro anos apontou que, anualmente, o monitoramento eletrônico evita em média 137 fugas de presos em saída temporária.

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No Estado de São Paulo, porém, não há tornozeleiras destinadas ao monitoramento de acusados de crimes que ainda aguardam julgamento. As 4.800 tornozeleiras usadas no Estado de São Paulo destinam-se somente a presos do regime semiaberto — ou seja, presos já condenados que podem trabalhar dentro ou fora da unidade prisional ou que tenham direito às saídas temporárias.

O artigo 319 do Código de Processo Penal prevê o uso de tornozeleira também como medida cautelar.

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As medidas cautelares são alternativas à prisão preventiva: em vez de manter um suspeito detido enquanto aguarda julgamento, o juiz pode determinar nove tipos de restrições, como, por exemplo, a proibição de viajar ou de frequentar certos locais.

O uso de tornozeleiras como medida cautelar foi incluído na legislação em 2011, depois de a SAP (Secretaria de Estado da Administração Penitenciária) ter contratado empresas para monitorar presos do semiaberto.

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Paulo José Iasz de Morais, presidente da Comissão de Estudos sobre Monitoramento Eletrônico de Detentos da OAB-SP, afirma que o Brasil deve seguir exemplos de outros países.

— O monitoramento eletrônico é uma boa forma de amenizar a superlotação das unidades prisionais e também de evitar que mais gente, que não precisa ficar presa, entre em contato com outros criminosos nas cadeias.

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Morais afirma que são justamente os presos provisórios que mais sofrem com as unidades cheias.

— Apesar do bom trabalho que a SAP vem fazendo, ainda não há tornozeleiras para serem usadas como medida cautelar. E são justamente os CDPs [Centros de Detenção Provisória], onde ficam detentos que ainda não foram julgados, que têm os maiores índices de superlotação.

Ele ainda afirma que o Brasil poderia adotar, como Portugal, a tornozeleira para evitar agressões a mulheres, monitorando, por exemplo, se agressores estão respeitando medidas restritivas, como a proibição de se aproximarem da vítima. Em Portugal, há monitoramento do tipo.

Patrick Lemos Cacicedo, coordenador do Núcleo Especializado de Situação Carcerária da Defensoria Pública, afirma que seria mais eficiente o uso da tornozeleira como medida cautelar do que como forma de monitorar presos em saídas temporárias, mas faz ressalvas.

— Há diversas formas de medida cautelar. O uso de tornozeleira é a última. Deve ser usada com parcimônia e justificada. É preciso destacar que o equipamento tem um efeito estigmatizador.

Caciedo questiona o investimento em tornozeleiras para saídas temporárias.

— A porcentagem de presos que não retornam sem tornozeleira já é bastante baixa. Quem é autorizado a sair já tem um histórico de bom comportamento. É preciso pensar se vale o investimento.

A reportagem questionou, na última terça-feira (31), a SAP se havia planos de expandir os tipos de uso dos equipamentos no Estado. A pasta não se manifestou.

Em Portugal, tornozeleira serve para alertar mulher agredida sobre aproximação do ex

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