Dieta do diabetes: comer pouco, de tudo e várias vezes por dia 

Especialistas garantem que conceito de proibição é “coisa do passado”

Dieta do diabético não deve ser vista como sinônimo de restrição
Dieta do diabético não deve ser vista como sinônimo de restrição Thinkstock

Um dos primeiros pensamentos que surge após o diagnóstico do diabetes é “nunca mais vou comer doces, assim como macarrão, pão e arroz”. Segundo o endocrinologista Márcio Krakauer, presidente da Adiabc (Associação de Diabetes do ABC), este conceito de proibição é ultrapassado e a dieta do diabético não deve ser vista como sinônimo de restrição e sacrifício.

— O segredo é comer pouco, de tudo e várias vezes por dia. Nada precisa ser eliminado completamente do cardápio, nem mesmo o açúcar.

O médico, que também é membro da SBD (Sociedade Brasileira de Diabetes), avisa que é preciso estar atento às quantidades e horários. E, claro, não se esquecer da prática regular de atividade física e da medicação. A adesão ao tratamento, reforça Krakauer, é o que garante o controle da doença e a possibilidade de se alimentar com prazer.

— O paciente costuma adiar o início do tratamento por medo de ouvir do médico que o doce está proibido ou que vai ter que usar insulina. Isso não pode acontecer.

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A regra número um para quem tem diabetes é comer a cada três horas e investir em uma dieta rica em hortaliças, cereais, grãos e pães integrais, evitando as “bombas de açúcar, gordura e sal”. Mas, quando bater aquele desejo de comer um docinho, Krakauer orienta fazer o teste de glicemia (ou ponta de dedo) para avaliar se a taxa está dentro da normalidade a ponto de se cometer a extravagância.

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A nutricionista e culinarista Cinthya Maggi acrescenta que a orientação nutricional é importante para a inclusão de guloseimas dentro de um cardápio equilibrado, que deve ser planejado de acordo com a idade, sexo, estilo de vida, necessidades nutricionais e prática de atividade física.

— O profissional deve focar em metas individualizadas e realistas, que consigam agradar o paladar do paciente, evitando o descontrole glicêmico e o ganho de peso.

O que comer?

A dieta do diabético é cercada de mitos que são derrubados à medida que se conhece mais sobre a doença. Cinthya garante que é possível aliar alimentação saudável a sabor.

— Para montar pratos bonitos e atraentes, opte por alimentos coloridos e ouse nas formas de montar a refeição, sem amontoar a comida. Ervas aromáticas, especiarias e molhos leves também tornam o prato mais apetitoso.

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A nutricionista Natália Mayara Albano, membro do CRN -3 (Conselho Regional de Nutricionistas da 3ª Região), avisa que o carboidrato é o nutriente que mais afeta o nível de glicose no sangue, por isso deve ser consumido com moderação. Entre as principais fontes do nutriente, ela cita pães, arroz, farinha e massas brancas, biscoitos, bolos, batatas, mandioca e inhame.

— O carboidrato não deve ser abolido, mas o paciente precisa se atentar a quantidade consumida para não prejudicar o controle do diabetes.

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Na prática, se o diabético comer um doce deve reduzir o consumo de carboidrato do dia para manter a equivalência. No caso de diabéticos que utilizam insulina, é importante fazer os ajustes das doses do medicamento de acordo com a contagem de carboidratos.

A nutricionista sugere priorizar alimentos integrais, que são digeridos mais lentamente pelo organismo, liberando a glicose em pequenas doses. Dessa forma, o diabético evita apresentar picos glicêmicos durante o dia.

Assim como as fibras dos produtos integrais, carnes magras — como peixes, frango sem pele, lagarto e alcatra —, legumes, verduras e frutas são ingredientes que devem compor o cardápio.

No caso de frutas, a dica do endocrinologista é consumir de três a quatro porções por dia em horários diferentes e optar por sucos que levam água, como limão e maracujá.

— Os sucos concentradas são feitos com a quantidade de frutas que o diabético comeria durante o dia inteiro. Além de muito calóricos, eles elevam a glicemia rapidamente, por isso são geralmente recomendados em quadros de hipoglicemia.

Em relação aos produtos diet, Natália alerta que eles não devem ser ingeridos à vontade. A nutricionista explica que a descrição diet nem sempre é sinônimo de isenção de açúcar e, sim, de determinado nutriente, que pode ser gordura ou sal.

— Portanto, é muito importante observar as informações contidas nos rótulos. Além disso, enfatizo que a ausência de açúcar no produto não lhe isenta de conter calorias e gorduras em sua composição.