A um ano da eleição, Wagner diz que nunca se realiza tudo
Reeleito em 2010, atual governador evita dar nome de possível sucessor
Bahia|Shizue Miyazono, do R7 BA

Depois de quase sete anos à frente do governo da Bahia, Jaques Wagner está prestes a deixar o cargo após as Eleições 2014. Em entrevista exclusiva ao R7 Bahia, Wagner fez um balanço do seu governo e disse que nunca se realiza tudo que planeja.
O governador lembrou que a última semana foi histórica para a mobilidade urbana de Salvador, com a assinatura do contrato para retomada das obras da linha 1 e implantação da linha 2 do metrô de Salvador, que se estenderá até Lauro de Freitas, região metropolitana.
Atualmente, após 13 anos em construção, o metrô possui apenas seis quilômetros, que não levam a lugar nenhum.
O governador disse, ainda, que o Programa Pacto pela Vida, que completou dois anos, está começando a mostrar os resultados. Segundo Wagner, até setembro, foi constatado redução de 13% dos crimes de morte em Salvador e 18% cento na Região Metropolitana.
Durante a entrevista, o governador falou sobre as próximas eleições e afirmou que o nome do PT para a sucessão no Estado será definido ainda neste ano. Wagner afirmou que a base do governo tem candidatos do PT e também de outros partidos.
Leia íntegra da entrevista:
R7 Bahia - O senhor não pode concorrer à reeleição, já que foi reeleito em 2010. Quem o senhor vai apoiar na disputa para o governo da Bahia em 2014: Rui Costa (secretário da Casa Civil do governo) ou José Sérgio Gabrielli (secretário de Planejamento e ex-presidente da Petrobras)?
Jaques Wagner - Na verdade, na base do governo tem candidatos do PT e também de outros partidos. Nós estamos conversando com todos para montar uma chapa de unidade e muito competitiva para disputar e ganhar a eleição de 2014. O nome do PT será definido ainda neste ano. Tenho minhas relações com todos os pretendentes e vou trabalhar para um nome de consenso.
R7 BA - Diante da impossibilidade de reeleger-se para o governo do Estado, qual será seu futuro político? Existe a possibilidade de o senhor assumir algum ministério caso o PT vença novamente as eleições presidenciais?
Wagner – A minha preferência é exercer o cargo de governador até 31 de dezembro de 2014. Nesse ano, vou me empenhar na campanha de reeleição da presidenta Dilma e do meu sucessor aqui no Estado.
R7 BA - O que acha da repercussão que a escolha do futuro pré-candidato ao governo apoiado pelo PT está tendo na mídia? Realmente, existe esse racha interno?
Wagner – O PT é um partido plural, democrático, e muito importante no Brasil e na Bahia. É natural que suas decisões sejam acompanhadas de muita repercussão. É tradição do PT fazer o debate interno e, depois de tomada a decisão, manter a unidade partidária.
R7 BA- Quais são os próximos passos do governo estadual para o metrô de Salvador até Lauro de Freitas, região metropolitana? Em entrevista recente, o secretário estadual Rui Costa disse que “as obras da linha 1 e da linha 2 começarão imediatamente, sendo que o trecho até o Retiro ficará pronto em 2014 e até Pirajá, em 2015”. As obras estão andando, governador?
Wagner – Essa última semana foi histórica para a mobilidade urbana de Salvador. Com a presidenta Dilma assinamos o contrato para retomada das obras da linha 1 e implantação da linha 2 do metrô de Salvador, que se estenderá até Lauro de Freitas. Foi anunciado também um pacote de intervenções viárias complementares ao metrô que configurará os corredores rodoviários de BRT. Além disso, um sistema de veículo leve sobre trilhos (VLT) substituirá o atual sistema de trens do subúrbio ferroviário. A empresa CCR, executora da obra, está na fase de mobilização dos trabalhos e início de sua operação.
R7 BA - No começo do seu segundo mandato, o senhor propôs um programa de combate à criminalidade (Pacto pela Vida), contratou mais policiais e iniciou um processo de ocupação em comunidades de Salvador, entre outras, para melhorar a segurança pública. Qual a avaliação que o senhor faz das medidas adotadas para combater a criminalidade no Estado?
Wagner – Este ano, estamos começando a colher os resultados do Programa Pacto pela Vida, que completou dois anos. Até setembro, tivemos uma redução de cerca de 13% dos crimes de morte em Salvador e 18% na região metropolitana. As polícias trabalham com um planejamento e metas definidas para a redução da criminalidade. Segurança pública continua sendo um grande desafio que hoje, através do Pacto pela Vida, temos a participação do Judiciário, do Legislativo, do MP, da Defensoria Pública e da sociedade civil.
R7 BA- Faltando pouco mais de um ano para deixar o governo, o senhor sai do o cargo com sentimento de missão cumprida? Mudaria algo?
Wagner – Nunca você realiza tudo que planeja. Minha gestão tem marcas que orgulham a nossa caminhada. Instauramos uma nova cultura política na Bahia, republicana e democrática, respeitando os adversários e o contraditório. Fizemos muito na área social. Nosso governo é o que mais construiu casas populares e hospitais, mais alfabetizou, mais gerou empregos em períodos equivalentes de comparação. Na infraestrutura e no desenvolvimento a Bahia avançou muito, atraindo 70 grandes empresas, diversificando a nossa indústria. Construímos 7.000 km de estradas e obras importantes, como a Arena Fonte Nova, o Hospital do Subúrbio e a Via Expressa Portuária. Também estamos projetando a Bahia para o futuro. A Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol), em construção, integrará a Bahia de Barreiras até Ilhéus, onde teremos o Porto Sul e um novo aeroporto de cargas. Em síntese, cuidamos do social, do desenvolvimento.
















