Após ser preso, Geddel embarca para Brasília em avião da PF
Digitais do peemedebista foram encontradas nas cédulas encontradas pela PF
Brasil|Do R7
O ex-ministro dos governos Temer e Lula, Geddel Vieira Lima (PMDB-BA), deixou Salvador por volta de 13h30 desta sexta-feira (8) e embarcou em um avião da PF (Polícia Federal) rumo à Brasília, onde irá cumprir prisão preventiva.
O político baiano foi detido na manhã de hoje em casa, onde ele cumpria prisão domiciliar, no bairro do Apipema, em Salvador, em mais uma etapa da operação Cui Bono?, que investiga irregularidades cometidas por Geddel na vice-presidência de Pessoa Jurídica da Caixa Econômica Federal, cargo que ocupou durante o governo da ex-presidente Dilma Rousseff.
A prisão acontece três dias após a PF encontrar R$ 51 milhões armazenados em malas e caixas de dinheiro em um apartamento da capital baiana. O imóvel foi emprestado à família do ex-ministro, supostamente para guardar objetos da família.
A Polícia Federal levou 14 horas para contar a grana, totalizando R$ 51 milhões, sendo R$ 42.643.500 e US$ 2.688.000 — foi a maior apreensão de dinheiro vivo da história da agência. Na quinta-feira, a PF confirmou que fragmentos das digitais de Geddel foram identificados nas notas de dinheiro apreendidas.
O pedido de prisão partiu do juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara Federal de Brasília, que cuida da Lava Jato na capital federal e da Cui Bono?. Em seu despacho, o magistrado afirma que Geddel agiu de forma "sorrateira" ao esconder as milhares de notas de dinheiro.
"A autoridade policial explica que foi realizado exame pericial no dinheiro apreendido, no qual os Peritos lograram localizar alguns fragmentos de impressões digitais de GEDDEL QUADROS VIEIRA LIMA e de GUSTAVO PEDREIRA DO COUTO FERRAZ no material. Quanto a este último envolvido, a autoridade policial aponta como sendo pessoa ligada a GEDDEL QUADROS VIEIRA LIMA, tendo sido, inclusive, indicado por ele para buscar, em 2012, valores ilícitos remetidos por ALTAIR ALVES, emissário de EDUARDO CUNHA", escreveu o magistrado em despacho (leia na íntegra).
Já o Ministério Público Federal afirma que Geddel é um "criminoso em série" e que faz "de uma dada espécie de crime sua própria carreira profissional".
A defesa de Geddel Vieira Lima informa que somente se manifestará "quando, finalmente, lhe for franqueado acesso aos autos, especialmente aos documentos que são mencionados no decreto prisional. Pesa dizer que o direito de defesa e, especialmente, as prerrogativas da advocacia, conferidas por lei, sejam tão reiteradamente desrespeitadas, impedindo-se o acesso a elementos de prova, já documentados nos autos".

Entenda as investigações
As investigações da Cui Bono? tiveram origem na análise de conversas registradas em um celular apreendido na casa do então presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB-RJ), após uma operação da Lava Jato.
Segundo as investigações da PF e do MPF (Ministério Público Federal) no Distrito Federal, as mensagens indicam que Cunha e Geddel atuavam para garantir a liberação de recursos por vários setores da Caixa Econômica a empresas que, após o recebimento, pagavam vantagens indevidas aos dois e a outros integrantes do esquema, entre eles Fábio Cleto, então vice-presidente de Fundos de Governo e Loterias.
Cleto, que ocupou o cargo por indicação de Cunha, foi quem forneceu as primeiras informações aos investigadores. Em meados do ano passado, ele fechou acordo de colaboração premiada com a Procuradoria Geral da República.
Em 3 de julho, Geddel foi preso sob acusação do MPF de estar tentando obstruir as investigações — ele estaria pressionando o doleiro Lúcio Funaro para evitar que ele fizesse uma delação premiada e revelasse o esquema. Dez dias depois, o TRF-1 (Tribunal Regional Federal da 1ª Região) decretou prisão domiciliar a Geddel, mesmo sem a tornozeleira eletrônica. Ele ficou preso em casa até esta sexta-feira.















