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Citado por suposto envolvimento com cartel, secretário estuda processar ex-diretor da Siemens

Jurandir Fernandes nega “estreito relacionamento” com consultor investigado pelo Cade

Brasil|Thiago de Araújo, do R7

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Nome de Fernandes (foto) foi citado pelo ex-diretor da Siemens
Nome de Fernandes (foto) foi citado pelo ex-diretor da Siemens

O secretário estadual dos Transportes Metropolitanos, Juradir Fernandes, negou nesta quinta-feira (21), em cerimônia que lançou o Bilhete Único Mensal, qualquer envolvimento com Arthur Teixeira, lobista investigado pelo MP (Ministério Público) e pela Polícia Federal por supostamente intermediar o pagamento de propinas em um cartel de trens em São Paulo, entre 1998 e 2008.

O nome de Fernandes foi citado por Everton Rheinheimer, ex-diretor da divisão de Transportes da empresa alemã Siemens, em relatório entregue ao Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) no dia 17 de abril, segundo informação divulgada pelo jornal O Estado de S. Paulo nesta quinta-feira.


Em seu relato ao Cade, Rheinheimer disse ter tido “a oportunidade de presenciar o estreito relacionamento do diretor-presidente da Procint, Arthur Teixeira, com estes políticos”, em uma referência a Fernandes e a outros dois secretários estaduais, José Aníbal (Energia), e Rodrigo Garcia (Desenvolvimento Econômico).

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O secretário de Transporte Metropolitanos afirmou que já prestou esclarecimentos sobre o seu envolvimento “estritamente profissional” com Arthur Teixeira, a quem recebeu três vezes em seu gabinete ao longo dos 35 meses em que está a frente da pasta estadual. Fernandes negou qualquer intimidade com o lobista e disse que vai estudar se processa ou não Rheinheimer por suas alegações ao Cade.

— Eu preciso saber se esse cidadão que está falando tudo isso se ele subscreve e assina tudo isso. Se for realmente público, um depoimento oficial dele, eu acho que eu tenho que tomar alguma ação com esse cidadão. O que significa esse grau de intimidade que ele está se referindo? Preciso saber.


Sobre Teixeira, Jurandir Fernandes repetiu o que havia dito em junho, tão logo uma matéria da revista Isto É, que tratava sobre um amplo esquema de corrupção em licitações do metrô de São Paulo ao longo de três governos do PSDB – Mário Covas, José Serra e Geraldo Alckmin –, com repasses de milhões em recursos voltados para propina.

— Eu conheço o cidadão, o Arthur Teixeira. Tive que fazer um levantamento, para saber o grau de intimidade que tinha com ele. Ele veio três vezes nesses 35 meses ao meu gabinete, duas vezes acompanhando um grupo de portugueses, a Efacec, e outra vez ele veio apresenta a empresa dele [a Procint], essa que vocês estão se referindo. Essa é a intimidade que tenho com ele. Felizmente, estou muito segurado com os documentos que tenho sobre isso [...]. As fotografias que apareceram são de dez, 11 anos atrás e segundo consta é isso que está sendo colocado também.

Fernandes ainda fez questão de mencionar, com base na íntegra do relatório do Cade, de que o seu nome não está de maneira alguma ligada às investigações de recebimento de propina.

— Ele [Rheinheimer] está fazendo uma delegação premiada e está colocando uma série de dados, situações de cartel e de outras naturezas, como propina, essas coisas. Mas o meu nome ele cita, mas meu nome tem um asterisco, segundo eu vi, que diz o seguinte: “esses apontados não se referem à propina”. O meu não se refere à propina. Ele fala “mantenho um relacionamento intenso com o cidadão Arthur Teixeira”.

Em tom de desabafo, o secretário de Alckmin lamentou ter voltar a falar sobre o assunto, sem, segundo ele, haver algum fato novo sobre o caso.

— Difícil ainda porque não está subscrito, só estou ouvindo falar a respeito. Mas eu acho que ele terá de dar satisfações. Veja bem, uma coisa é o meu papel de homem público, vocês acompanham que tiro fotos com pessoas, você não pode falar que não. Aí então aparece uma foto minha, em visita a uma fábrica, de 2003 ou 2004, e vem dizer que isso significa um grau de intimidade? Eu estou lá e capacete, trabalhando, e esse cidadão aparece lá sem nada, no meio da foto e dizem que eu tenho intimidade. É desagradável.

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