Estudante picado por naja presta depoimento pela primeira vez no DF

Pedro Krambeck, de 22 anos, criava a cobra como animal de estimação. O animal foi abandonada no estacionamento de um shopping após o ataque

Pedro Henrique Santos Krambeck chega para prestar depoimento

Pedro Henrique Santos Krambeck chega para prestar depoimento

Reprodução/Record TV

O estudante de veterinária Pedro Henrique Santos Krambeck, de 22 anos, presta depoimento à polícia pela primeira vez nesta sexta-feira (31). O jovem foi preso temporariamente na quarta-feira (29) sob suspeita de crimes ambientais após ter sido picado por uma cobra naja que criava dentro de casa, 

A prisão temporária, com prazo inicial de 5 dias, foi decretada após representação da autoridade policial. Segundo a investigação, foram constatados indícios de que o suspeito, juntamente com outros investigados, participaria de uma associação criminosa, responsável pela destruição das provas relacionadas aos crimes ambientais.

O universitário já foi multado em R$ 61 mil pelo Ibama (Instituto Nacional do Meio Ambiente), por maus-tratos e por manter serpentes nativas e exóticas em cativeiro sem autorização.

Krambeck criava a cobra naja como animal de estimação. Porém, ele não tinha permissão e a serpente não poderia ser mantida em um domicílio por um cidadão de forma domesticada.

Após o ataque ao jovem, no dia 7 de julho, a cobra foi abandonada no estacionamento de um shopping. O animal foi encaminhado ao Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recurso Naturais Renováveis (Ibama), que o repassou ao Zoológico de Brasília.

A suspeita é de que a cobra tenha sido levado para Brasília a partir de uma licença irregular.

O padrasto do estudante também é investigado por ocultar provas. Tenente coronel da Polícia Militar do Distrito Federal, Eduardo Condi é suspeito de ajudar o rapaz a esconder provas para atrapalhar as investigações sobre o caso. Ele terá de explicar porque não denunciou o jovem que criava as cobras exóticas dentro da casa onde moravam.

Condi é subcomandante do comando de policiamento de trânsito e irmão do subcomandante geral da PM do DF. Ele prestou depoimento à polícia no dia 16 de julho. Tanto Condi como sua mulher, mãe do estudante, foram multados em R$ 8,5 mil cada por terem dificultado a ação de resgate do animal.

Um amigo de Krambeck terá de pagar multa de R$ 81,3 mil por dificultar a ação do Ibama, por manter animais nativos em locais inapropriados e sem autorização, além de maus-tratos.


A polícia suspeita que o estudante faça parte de uma rede de tráfico internacional de animais. O caso começou a ser investigado após o acidente, que provocou internação do rapaz em estado em grave, chegando a ser colocado em coma induzido. O jovem só saiu do coma após receber um soro antiofídico que praticamente não existe no Brasil, enviado pelo Instituto Butantan de São Paulo. Krambeck recebeu alta no dia 13 de julho.