Justiça rejeita pedido de transferência de doleiro e ex-diretor da Petrobras para presídio federal
Paulo Roberto Costa diz que vem sofrendo ameaças dentro da carceragem da Polícia Federal
Brasil|Do R7
A Justiça do Paraná negou, em decisão da última terça-feira (6), o pedido de transferência de Alberto Youssef, Paulo Roberto Costa e Carlos Habib Chater ao Presídio Federal de Catanduvas, no interior do Estado.
Os três, que foram levados à cadeia como desdobramento da operação Lava Jato da PF (Polícia Federal), que desmontou esquema suspeito de lavar mais de R$ 10 bilhões, se encontram na carceragem da PF em Curitiba.
A justificativa foi de que “os presídios federais são destinados a preso de elevada periculosidade”, não sendo o caso dos três citados.
Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, escreveu da carceragem da PF uma carta de próprio punho em que afirma ter sido "de novo ameaçado" por um agente policial. O bilhete foi anexado por sua defesa a um pedido de habeas corpus ao STJ (Superior Tribunal de Justiça).
Costa está preso desde 20 de março sob suspeita de liderar, junto com Youssef um "grande esquema de lavagem de dinheiro" desarticulado pela operação Lava Jato.
Ele é alvo de duas ações judiciais, abertas pela Justiça Federal com base na investigação da PF e denúncias da Procuradoria da República. Em uma ação, o ex-executivo da estatal petrolífera é acusado de tentar destruir provas contra a organização criminosa que, segundo a denúncia, realizava evasão de divisas e lavagem de dinheiro.
Quando a PF fazia buscas na residência de Costa, no dia 17 de março, familiares dele teriam retirado papéis e arquivos do escritório de sua empresa, a Costa Global.
No outro processo, a Procuradoria acusa o engenheiro por 413 operações de lavagem de dinheiro que teria sido arrecadado por meio de crimes contra a administração pública — peculato e corrupção. A Lava Jato indica que Costa e Youssef, que também está preso, se associaram para tentar obter a primazia de contratos milionários de órgãos públicos, como a Petrobrás e o Ministério da Saúde.
A investigação revela que o doleiro presenteou o ex-diretor da estatal com uma Land Rover Evoque, de R$ 250 mil. A PF investiga envolvimento de outros funcionários da Petrobras.
A PF já pediu remoção do engenheiro para o presídio de segurança máxima de Catanduvas, a 470 quilômetros de Curitiba. O estabelecimento é reservado aos presos de alta periculosidade. A Justiça Federal pediu à Procuradoria da República que se manifeste sobre a transferência de Costa.Ainda não há decisão sobre o deslocamento do acusado.
Costa ficou preso inicialmente na Custódia da PF. No dia 28 de abril, foi removido para uma prisão estadual do Paraná. No dia 3 de maio, voltou para a PF porque a administração penitenciária do Estado alegou que não tinha como garantir sua segurança e integridade.
É a segunda vez que Costa usa da estratégia do bilhete em que narra ameaças. Na nova carta, 24 linhas manuscritas em folha de papel almaço, o ex-diretor da Petrobras assina Paulo R. Costa e afirma que sofreu ameaças do "mesmo agente da PF" que já o teria pressionado no início de abril. No entanto, o ex-diretor não cita o nome do policial nem identifica as testemunhas que afirma existirem da suposta ameaça.
Segundo ele, o agente federal o abordou "neste domingo dia 28 último" - o domingo a que se refere foi 27. O policial lhe teria dito: "Você falou que tinha sido ameaçado por mim e o delegado falou comigo. Eu não terei mais nenhuma boa vontade com você".
Costa diz que passou o fim de semana fechado, "sem banho e caminhada por 48 horas, no sábado e no domingo". Segundo ele, o policial o advertiu. "Você tem que tomar no meio do olho. É por isso que você não vai mais sair daí." A PF não comentou.















