Brasil Mais de 20 milhões deixaram de comer na pandemia, diz Unicef

Mais de 20 milhões deixaram de comer na pandemia, diz Unicef

Pesquisa mostra que famílias com crianças e adolescentes e que vivem em situação de vulnerabilidade tiveram uma piora na qualidade de vida

  • Brasil | Karla Dunder, do R7

Crianças e adolescentes foram os mais afetados pela pandemia

Crianças e adolescentes foram os mais afetados pela pandemia

Tiago Queiroz/Estadão Conteúdo - 1.9.2014

Após nove meses de pandemia de coronavírus, a situação de crianças e adolescentes se agravou, principalmente aqueles que vivem em situação de vulnerabilidade social.

Esse é um dos aspectos apontados pela segunda onda da pesquisa Impactos Primários e Secundários da Covid-19 em Crianças e Adolescentes, lançada nesta sexta-feira (11), pelo Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância).

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O estudo mostra que as famílias morando com pessoas menores de 18 anos estão sofrendo cada vez mais os impactos econômicos e sociais da crise sanitária. 13% dos entrevistados, cerca de 20,7 milhões de brasileiros, deixaram de comer por falta de dinheiro desde o início da pandemia.

De julho a novembro, o percentual de respondentes que declararam que deixaram de comer porque não havia dinheiro para comprar mais comida passou de 6% para 13%. Isso é ainda mais grave entre pessoas de classe D e E, em que 30% deixaram de comer em algum momento porque não havia dinheiro para comprar mais comida. 

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"Mais da metade dos entrevistados, 54% não recebeu nenhum tipo de alimento escolar neste período de pandemia", destacou a representante do Unicef do Brasil, Florence Bauer.

A situação se torna ainda mais preocupante quando se fala em crianças e adolescentes. Segundo a pesquisa, 8% dos entrevistados que moram com pessoas menores de 18 anos declararam que as crianças e os adolescentes do domicílio deixaram de comer por falta de dinheiro para comprar alimentos. Entre aqueles de classe D e E, a proporção chega a 21%.

Outro aspecto destacado na pesquisa é a qualidade da alimentação, houve um aumento significativo do consumo de alimentos industrializados e refrigerantes por adolescentes e crianças.

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Segundo o levantamento do Unicef, 55% dos entrevistados declararam que o rendimento na casa diminuiu desde o início da pandemia. Entre as pessoas que residem com crianças ou adolescentes, 61% declararam que a renda da família diminuiu. Os impactos dessa queda são, particularmente, maiores nas famílias mais pobres. Dos entrevistados com renda de até um salário mínimo, 69% afirmaram que tiveram cortes em sua renda. Entre eles, 15% afirmaram ter perdido toda a fonte de renda.

Escolas Fechadas

Parte dos problemas estão concentrados no fechamento das escolas, na visão do Unicef. "As escolas deveriam ser as últimas a fecharem e as primeiras a abrirem", avalia Florence. "O impacto desse fechamento tão prolongado se dá na saúde mental dos adolescentes e na questão alimentar também."

O risco de evasão aumenta a partir do momento que um número grande de alunos não têm acesso à internet. De acordo com o levantamento, 13% das famílias responderam que crianças e adolescentes não haviam recebido atividades escolares na semana anterior à pesquisa. Isso corresponde a 7 milhões de meninas e meninos.

"Esse fator também é responsável por aumentar as desigualdades e mais uma vez é importante que as escolas abram e haja um apoio a esses alunos."

A saúde mental também é outro ponto que preocupa, 54% dos adolescentes apresentaram algum sintoma como insônia, perda de apetite ou oscilação de humor.

"Crianças e adolescentes são afetados de maneira mais profunda neste período de pandemia e os próximos governos devem priorizar ações nas políticas públicas e de redistribuição de renda", observa. "As escolas devem ser abertas seguindo todas as medidas sanitárias e envolvendo toda a comunidade escolar para dar mais segurança a todos."

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