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MP-GO pede apreensão de tornozeleira eletrônica usada por Rocha Loures

Inquérito civil apura suspeita de irregularidade no fornecimento da tornozeleira

Brasil|Da Agência Brasil

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Rocha Loures foi detido pela PF no dia 3 de junho, em Brasília
Rocha Loures foi detido pela PF no dia 3 de junho, em Brasília

O MP-GO (Ministério Público de Goiás) decidiu ingressar na Justiça estadual com um inédito pedido de busca e apreensão de uma tornozeleira eletrônica. Trata-se do equipamento que a Secretaria de Segurança Pública e Administração Penitenciária de Goiás emprestou ao Depen (Departamento Penitenciário Nacional), do Ministério da Justiça, para que o ex-deputado federal Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) pudesse deixar a carceragem da Polícia Federal (PF), em Brasília, e cumprir prisão domiciliar, monitorada por meio do uso da tornozeleira.

O promotor de Justiça Fernando Krebs decidiu recorrer à Justiça após ouvir o depoimento do superintendente de administração penitenciária, coronel Victor Dragalzew Júnior, na tarde desta terça-feira (11). O coronel foi ouvido no âmbito do inquérito civil que apura suspeita de irregularidade no fornecimento da tornozeleira eletrônica ao ex-deputado federal. A suspeita foi levantada pelo próprio MP estadual, que, ao longo da apuração, apontou também a hipótese de Loures não estar sendo monitorado remotamente, pois o contrato entre o governo goiano e a empresa privada SpaceCom prevê o acompanhamento em tempo real apenas dos sentenciados em Goiás. A Secretaria de Segurança Pública do estado, no entanto, garante que Loures está sendo monitorado.

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Em seu depoimento, o superintendente disse que o contrato com a SpaceCom prevê o fornecimento de 1.855 tornozeleiras eletrônicas, sendo que, atualmente, cerca de 950 estariam em uso — 300 das quais pagas com recursos federais repassados pelo Depen. No termo de depoimento a que a reportagem teve acesso, consta que o superintendente não soube informar se há uma lista de presos goianos à espera de receber uma tornozeleira.

O superintendente também reafirmou que a tornozeleira usada por Loures foi emprestada após um pedido feito pela direção do Depen por telefone — solicitação que, segundo Júnior, ainda não foi oficializada por meio do envio de um ofício. O superintendente também declarou ter conhecimento de que Loures está sendo monitorado e que a Secretaria de Segurança Pública pode fornecer ao MP um relatório de monitoramento de cada um dos sentenciados a usar tornozeleira eletrônica.

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Preso pela PF

Ex-deputado e ex-assessor especial do presidente Michel Temer, Loures foi preso preventivamente em Brasília, no dia 3 de junho. Ele foi filmado pela PF recebendo uma mala com R$ 500 mil enquanto era investigado pela Operação Patmos, deflagrada em maio deste ano, para apurar informações fornecidas por executivos da JBS, incluindo um dos donos da empresa, Joesley Batista.

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Em 30 de junho, o ministro-relator das ações da Lava Jato do STF (Supremo Tribunal Federal), Edson Fachin, mandou a PF soltar o ex-deputado. Em troca de responder às acusações em liberdade, Loures deverá cumprir algumas medidas cautelares, como recolhimento domiciliar e o uso de tornozeleira eletrônica.

Antes de cumprir a sentença, a PF informou que não dispunha de tornozeleiras eletrônicas, nem dos meios necessários para monitorar um sentenciado. O Depen então solicitou ao governo de Goiás que emprestasse uma tornozeleira para que a determinação judicial pudesse ser cumprida e Loures solto.

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Favorecimento

Autor de ao menos duas ações judiciais anteriores que questionam a falta de tornozeleiras eletrônicas para atender todos os sentenciados goianos que poderiam ser beneficiados com penas alternativas à prisão, o Ministério Público goiano acusa o governo estadual de ter favorecido Rocha Loures. “Se é público e notório que faltam tornozeleiras para os presos de Goiás, o estado não pode se dar ao luxo de emprestar um aparelho destes para outro ente [federativo], mesmo que seja o Depen. Isso é um desvio de finalidade”, disse o promotor Fernando Krebs.

Krebs disse que o MP está acompanhando a questão das tornozeleiras eletrônicas em Goiás há algum tempo. “A Secretaria de Segurança Pública afirma que não faltam tornozeleiras, mas nós temos ações na Justiça questionando isso. Logo, o empréstimo para um preso de outra unidade da federação, em um processo que nada tem a ver com o estado, é muito estranho”, disse o promotor, explicando que o inquérito civil apura também a hipótese de tráfico de influência em benefício de Loures.

Outro lado

Procurado, o Ministério da Justiça, ao qual estão subordinados o Depen e a PF, informou que a questão do monitoramento deveria ser averiguada com o governo goiano. A Seap (Superintendência Executiva de Administração Penitenciária) assegurou que forneceu o aparelho a pedido do Depen e da Polícia Federal e que, como financia grande parte dos aparelhos em uso em Goiás, o Depen tem “o direito de requisitar reciprocidade”, como, por exemplo, o empréstimo do equipamento.

“A Seap considera absolutamente absurdas e improcedentes as afirmações segundo as quais teria existido ingerência política neste processo, uma vez que a cessão do aparelho foi feita dentro do princípio da cooperação federativa”, ponderou a superintendência estadual, garantindo que Loures está sendo monitorado via satélite, sem nenhum prejuízo legal.

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