Prisão do deputado Donadon mancha a história do nosso Estado, diz turista de Rondônia
Grupo de turistas do estado de Donadon estava decepcionado com a atuação do conterrâneo
Brasil|Kamilla Donadon, do R7, em Brasília

A entrega do deputado federal Natan Donadon (PMDB-RO) à Polícia Federal repercutiu imediatamente pelos corredores quase vazios da Câmara dos Deputados nesta sexta-feira (28). A notícia se espalhou rápido entre um grupo de turistas do Estado de Rondônia, que fazia uma visita pelo Congresso Nacional.
O funcionário público, Paulo Jessé, ficou muito decepcionado com a atuação de Donadon.
— Com certeza, é algo que mancha nosso Estado. Era alguém que a gente apoiava, eleito pelo povo, alguém em quem depositamos nossa confiança. Ele deveria dar o exemplo, criar as leis e, ao contrário disso, é condenado.
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Outro integrante do grupo, Alan Régis compartilha o mesmo sentimento.
— Ele veio para cá pra representar a gente e esse é o exemplo que ele dá.
Para o deputado Augusto Carvalho (PPS-DF), Donadon “provocou” o Judiciário e o Congresso ao demorar a se entregar, mesmo depois de condenado.
— Esse é o comportamento de um delinquente. Ele desafia os poderes da República, o Congresso e o Judiciário.
Donadon se apresentou hoje ao superintendente da PF, Marcelo Mosele, em uma parada de ônibus, na área sul da capital federal, acompanhado do advogado Nabor Bulhões, para evitar o registro da prisão pela imprensa. Donadon será encaminhado ainda hoje para a superintendência da PF em Brasília, depois de fazer um exame de corpo de delito.
Donadon vai ser notificado na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, de que há um processo em trâmite pela cassação do seu mandato. A CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) tentou notificar o parlamentar por quatro vezes desde a última quarta-feira, a última tentativa foi nesta sexta-feira pela manhã. O presidente da CCJ, Décio Lima (PT-SC), só espera a chegada do deputado ao prédio da PF para entregar o documento, em mãos, a Donadon.
O deputado terá o prazo de cinco sessões ordinárias do Plenário para apresentar defesa por escrito, contando a partir da próxima segunda-feira (1º). Se os deputados mantiverem o período de recesso parlamentar — de 17 de julho a 1º de agosto — o prazo é suspenso e volta a contar depois do retorno às atividades.
Depois que receber a defesa, o relator, deputado Sérgio Zveiter (PSD-RJ) terá prazo de cinco sessões para apresentar relatório. Se ele se decidir pela cassação, o documento será encaminhado ao presidente da Câmara Henrique Eduardo Alves, que já declarou colocar a proposta em votação assim que receber o relatório. A possível cassação tem que ser aprovada pela maioria absoluta, dois terços dos deputados.
A cassação de Donadon pode ser a primeira a ser decidida com voto aberto. O projeto foi aprovado na última quarta-feira pela CCJ da Câmara. Para valer, só falta ser aprovada pelo plenário.
O deputado federal Natan Donadon foi condenado pelo STF, em 2010, a 13 anos e quatro meses de prisão por formação de quadrilha e peculato. Ele é acusado de participar de esquema de desvio de milhões de reais quando era diretor da Assembleia Legislativa de Rondônia, no ano de 1990.















