"Que República é essa?", diz Calero sobre R$ 51 milhões atribuídos a Geddel
Ex-ministro da Cultura diz que não ficou "surpreso" com fortuna
Brasil|Do R7

O ex-ministro da Cultura Marcelo Calero disse não estar "surpreso" com a apreensão de mais de R$ 51 milhões em um endereço em Salvador, na Bahia, atribuído ao ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB). "Não posso dizer que estou propriamente surpreso. Mas, de fato, é espantoso", escreveu Calero nas redes sociais.
Calero protagonizou a crise que culminou com a saída de Geddel do governo Temer, em novembro de 2016, quando pediu exoneração do cargo alegando que o peemedebista o pressionou para liberar uma obra em região histórica da capital baiana. Atualmente, Geddel está em prisão domiciliar na Operação Cui Bono?, que investiga desvios na Caixa Econômica Federal.
Quando estava à frente da pasta da Cultura, Calero deixou o cargo afirmando ter sido pressionado pelo então ministro da Secretaria Geral de Governo para a liberação, pelo Iphan da Bahia, de um prédio onde havia adquirido um apartamento.
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Nesta terça-feira (5), a Polícia Federal, no âmbito da Operação Tesouro Perdido, desdobramento da Cui Bono?, descobriu um apartamento, em Salvador, sem mobília, no qual estavam depositadas oito malas e sete caixas recheadas de notas de R$ 100 e R$ 50, além de alguns dólares — a contagem da PF levou 14 horas e indicou fortuna de R$ 51 milhões.
Como reação, o ex-ministro da Cultura disparou contra o peemedebista em suas redes sociais. "Não posso dizer que estou propriamente surpreso. Mas, de fato, é espantoso".
"Que República é essa? Depois de testemunhar o 'homem de mais inteira confiança' de Temer correndo com mala de dinheiro, hoje descobre bunker do seu mais próximo ministro, por quem pediu favores especiais, e que se vangloriava de amizade de décadas. Detalhe: envolvidos soltos", afirmou.
Calero ainda disse agradecer "todos os dias pelo discernimento, pela fortaleza", e por ter se "livrado dessa gente inescrupulosa".
Em agosto, Geddel se tornou réu por obstrução de justiça. O ex-ministro teria atuado para evitar a delação premiada do corretor financeiro Lúcio Funaro, que poderia implicá-lo em crimes de corrupção na Caixa Econômica Federal.
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