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Queiroga cita Oswaldo Cruz e diz que país vive 'guerra de vacinas'

Ministro reafirmou que até o fim do ano 630 milhões de doses contra a covid chegarão. Imunizantes da Janssen não têm data

Brasil|Daniel Trevor, da Record TV em Brasília, com R7

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Marcelo Queiroga durante depoimento à CPI da Covid no Senado
Marcelo Queiroga durante depoimento à CPI da Covid no Senado

Em meio a uma corrida para cumprir a promessa de vacinar todos os brasileiros contra a covid-19, ao menos com uma dose, até o fim deste ano, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, citou o médico Oswaldo Cruz, que dá nome ao instituto que produz o imunizante da AstraZeneca, e afirmou que o Brasil enfrenta uma "guerra de vacinas".

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"A campanha está vacinando, está indo bem. Então, [quero] passar uma mensagem de tranquilidade a todos os brasileiros. Oswaldo Cruz, lá no passado, enfrentou uma revolta das vacinas e hoje nós enfrentamos uma guerra de vacinas", disse o ministro durante entrevista após o lançamento do Programa Telessaúde do Brasil, em Cristalina, interior de Goiás.

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Um dos grandes personagens que atuaram na saúde pública brasileira, Oswaldo Cruz foi um sanitarista que se notabilizou, no início do século passado, no combate a pandemias, como febre amarela, peste bubônica e varíola. Ele é considerado o fundador da medicina experimental no Brasil e propôs a criação de soros e vacinas.

Conforme o arquivo da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), em 1904, o médico propôs ao governo da época o envio ao Congresso de um projeto para reinstaurar a obrigatoriedade da vacinação contra a varíola. A lei foi aprovada e a população, que desconhecia os benefícios do imunizante e contaminada com os boatos e fake news da época, se revoltou.

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Queiroga reafirmou que, até o fim do ano, 630 milhões de doses chegarão ao país e pediu às pessoas que não voltaram aos postos de saúde para tomar a segunda dose que contribuam com a campanha nacional. "Só com a segunda dose – com exceção da Janssen, que é uma dose única –, é que se faz a imunização completa", explicou.

Assim como na quarta-feira (16), o ministro destacou não ser possível estimar prazo para a chegada das 3 milhões de doses da vacina da Janssen contra o novo coronavírus. "Não tem previsão de chegar. Quando chegar, nós vamos dizer. O principal interessado em dizer somos nós. Porque isso é fruto do nosso esforço, do nosso trabalho."

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O titular da pasta destacou ainda a antecipação de 7 milhões de vacinas da Pfizer, o que quase dobrou a previsão para julho. Com a nova remessa, o Brasil vai receber 15 milhões de doses no mês que vem. Segundo o ministro, a partir do segundo semestre, o país deve receber a maioria das 200 milhões de doses contratadas da farmacêutica.

"Agora em julho nós conseguimos antecipar 7 milhões de doses da Pfizer graças ao empenho pessoal do presidente da República. Então vamos trabalhar forte porque queremos que até o mês de setembro tenhamos a população acima de 18 anos vacinada com pelo menos a primeira dose de vacina", afirmou.

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O Vacinômetro do R7 indica que foram aplicadas no país, até o início da tarde desta quinta-feira (17), 59.541.051 doses contra o novo coronavírus, o equivalente a 28,12% da população. Com a segunda dose, 24.138.038 de injeções foram dadas (11,4%).

Conforme o balanço mais recente do governo federal, com os dados enviados pelos estados ao Ministério da Saúde e ao Conass (Conselho Nacional de Secretários de Saúde), o Brasil registrou, nesta quarta-feira (16), 2.997 mortes por covid-19 e 95.367 novos casos diagnosticados.

Terceira dose?

Conforme o titular da pasta, se houver necessidade de reforço na vacina com terceira dose no ano que vem, o governo federal está preparado para a logística. "Nós temos muitas evidências em relação às vacinas, temos outras evidências que são construídas. Uma delas é a necessidade de vacinar no ano que vem e este ponto tem sido discutido. E o governo já tem atuado com uma estratégia organizada", afirmou.

"Primeiro, já temos a transferência de tecnologia da AstraZeneca que vai garantir a produção do IFA nacional. Segundo que já discutimos com outras farmacêuticas a possibilidade de doses adicionais, entre elas a Moderna. Quando houver algo concreto e definitivo, como vem tem sido feito desde o início da nossa gestão, nós vamos informar a vocês e vocês vão divulgar para a população brasileira", completou.

Nova secretária

A respeito da nomeação da médica Rosana Leite de Melo para o cargo de secretária Extraordinária de Enfrentamento à Covid-19 da pasta, Queiroga afirmou que a cirurgiã se encaixa com a sua linha de pensamento e de trabalho. 

"A secretária é a professora Rosana Leite de Melo, da Universidade Federal de Mato Grosso, funcionária pública. Já presidiu o Conselho Regional de Medicina do Mato Grosso do Sul, já foi coordenadora da Comissão Nacional de Residência Médica. E é um perfil adequado para trabalhar comigo no enfrentamento à pandemia da covid-19. Vamos trabalhar forte para vencer a pandemia da covid", falou.

Rosana vai ocupar o posto que seria da infectologista Luana Araújo, que chegou a ser anunciada para a função, mas após dez dias, acabou informada pelo ministro que não seria mais nomeada.

A polêmica em torno do assunto chegou à CPI da Covid no Senado. Em 2 de maio, ao ser ouvida pela comissão, Luana declarou ter entendido na ocasião que órgãos superiores haviam vetado sua presença na secretaria de acompanhamento da pandemia.

Luana é contrária ao tratamento precoce com uso de medicamentos como a cloroquina contra covid-19. Para ela, a discussão "é delirante, esdrúxula. anacrônica e contraproducente".

Para o ministro, a chegada de Rosana não muda as estratégias no enfrentamento à pandemia, e sim reforça as ações, uma vez que a direção seguirá centralizada nele.

"O objetivo de criar as secretarias era centralizar em uma pasta todas essas ações para que tivéssemos ou tenhamos mais efetividade no enfrentamento à pandemia e dialogar com estados e municípios. E eu busquei o perfil da doutora Rosana, que tem um perfil um pouco parecido com o meu, para buscar harmonizar as relações e avançarmos no que interessa", explicou.

CPI da Covid

O ministro finalizou a entrevista dizendo não estar preocupado com a decisão do relator da CPI da Covid, senador Renan Calheiros (MDB-AL), de mudar o status dele de testemunha para investigado na comissão. "Tenho que me preocupar com a vida dos brasileiros. Eu sou ministro da Saúde e a minha vida é um livro aberto, não tenho nenhum receio disso aí. Vamos trabalhar."

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