Secretaria da Cultura repudia ato contra presidente da Palmares
Segundo o órgão, o grupo que se manifestou "tem claras motivações político-partidárias" e em nenhum momento quis dialogar
Brasil|Marcos Rogério Lopes, do R7

Em nota, a Secretaria Especial da Cultura condenou as manifestações de movimentos negros contra o novo presidente da Fundação Palmares, Sérgio Nascimento de Camargo, e reiterou apoio ao jornalista.
Segundo a secretaria, o grupo que se manifestou "tem claras motivações político-partidárias" e "em nenhum momento demonstrou a intenção de dialogar".
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A nomeação de Camargo irritou os ativistas do movimento negro por algumas de suas declarações em redes sociais, entre as quais a que afirma que não o Brasil tem um "racismo nutella" e que a escravidão foi benéfica aos negros, que viveriam em situação pior na África. Ele também defendeu a extinção do feriado da Consciência Negra.
Nesta sexta pela manhã, Camargo foi procurado pela reportagem do R7, mas disse que não daria entrevista. Ele comentou que sabia que ocorreriam protestos em frente à fundação esperando sua chegada, mas não se preocupava com isso.
Entre as críticas ao novo presidente está a de que ele não seria qualificado para o cargo de chefe de um dos principais órgãos da defesa da população negra no país. À reportagem, Camargo ficou de enviar informações sobre a sua biografia, mas até o fechamento desta nota nada havia chegado.
Veja a nota na íntegra
A Secretaria Especial da Cultura condena a atitude violenta e antidemocrática de um grupo de manifestantes que invadiu e ocupou ilegalmente o prédio da Fundação Cultural Palmares, no Setor Comercial Sul, nesta sexta-feira (29). O grupo, que tem claras motivações político-partidárias, em nenhum momento demonstrou a intenção de dialogar. A ocupação se deu com o objetivo único de tumultuar, impedindo o trabalho de servidores públicos dedicados às causas da cultura.
A Secretaria Especial da Cultura reitera total apoio ao presidente da Fundação Cultural Palmares, Sérgio Nascimento de Camargo, e mantém a firme disposição de lutar contra o aprisionamento mental e ideológico que submete, até hoje, o povo negro à condição de eternos escravos. Trabalhamos pela valorização da verdadeira cultura negra e seus saberes, da sua história, e também por ações positivas voltadas à promoção do empreendedorismo e da participação dos negros em todos os segmentos da sociedade, com base no mérito, e não na vitimização.
Por fim, reiteramos nosso apego ao diálogo, à democracia e ao estado de direito. Nenhum ato de violência será suficiente para nos calar e nos impedir de seguir com o nosso projeto de construção de um país livre e melhor para todos.















